A convenção que confirmou a candidatura do ex-prefeito Arthur Henrique ao Governo de Roraima, neste sábado (16), expôs mais do que o lançamento de uma campanha eleitoral. O evento realizado pelo Partido Liberal também revelou fissuras políticas importantes dentro do próprio grupo que ajudou a construir a trajetória do ex-prefeito.

Embora tenha reunido apoiadores, lideranças partidárias e uma grande estrutura montada no D’Rosi, no bairro São Francisco, zona Norte de Boa Vista, a convenção foi marcada pela ausência de nomes estratégicos. Entre eles, a da ex-prefeita Teresa Surita, considerada mentora política de Arthur Henrique, e também a dos cinco deputados estaduais do PL na Assembleia Legislativa.

Não participaram do evento os deputados Armando Neto, Éder Lourinho, Marcinho Belota, Neto Loureiro e Rarison Barbosa. Nos bastidores políticos, os parlamentares vêm sendo apontados como mais próximos do governo interino de Soldado Sampaio, atual comandante do Palácio Senador Hélio Campos após a crise institucional que levou à mudança no comando do Executivo estadual.

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Questionado sobre o esvaziamento dentro do próprio partido, Arthur Henrique evitou confronto direto e adotou um discurso conciliador.

“Existem questões de acomodações que eles têm. Então, a gente não força ninguém porque eu acho que política não se faz assim. A gente não faz política pressionando aliados, a gente faz política com trabalho”, afirmou durante entrevista coletiva após a convenção.

Arthur também disse acreditar que ainda poderá contar com o apoio dos parlamentares do partido ao longo da campanha e defendeu a construção de alianças mais amplas para a disputa suplementar.

A ausência de Teresa Surita, no entanto, acabou ganhando ainda mais repercussão política e simbólica. Foi ela quem lançou Arthur na vida pública, abrindo espaço para que ele ocupasse cargos estratégicos na administração municipal antes de chegar à Prefeitura de Boa Vista.

Nos últimos meses, os sinais de afastamento entre os dois passaram a ser percebidos com mais frequência nos bastidores políticos. Arthur iniciou um movimento de construção de autonomia política, aproximando-se de novos grupos e ampliando alianças próprias, enquanto Teresa adotou postura mais discreta e evitou manifestações públicas sobre a reorganização do antigo grupo político.

Ao comentar a ausência da ex-prefeita, Arthur adotou tom respeitoso e afirmou que aguarda um posicionamento dela sobre a disputa.

“É um momento agora de escolhas e a gente tem que esperar, de fato, o posicionamento dela. Mas como eu coloquei aqui, é um momento que o nosso Estado precisa de união”, declarou.

O ex-prefeito também sinalizou abertura para receber o apoio do senador Dr. Hiran, que articula nos bastidores a possibilidade de composição política envolvendo a esposa, Gerlane Baccarin, para a eleição suplementar.

Durante o discurso, Arthur Henrique afirmou que pretende apresentar um modelo de gestão baseado na experiência acumulada durante os 14 anos em que integrou a administração municipal de Boa Vista. O candidato prometeu priorizar estabilidade administrativa, retomada de obras paradas e fortalecimento da relação entre o Governo do Estado e os municípios.

“O povo quer um governo parceiro dos municípios, do setor produtivo, que proteja a mulher, as crianças. É isso que estamos propondo”, disse.

Mesmo com o tom otimista adotado pelo candidato, a convenção deixou evidente que Arthur Henrique inicia sua caminhada rumo ao Governo de Roraima tentando equilibrar dois desafios simultâneos: consolidar sua independência política e administrar os sinais de fragmentação dentro da própria base que o ajudou a chegar até aqui.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Valério