Nos bastidores da política roraimense, cresce a percepção de que a ex-prefeita Teresa Surita não pretende partir para o confronto direto contra aquele que, até poucos anos atrás, era tratado como herdeiro político natural do seu grupo: Arthur Henrique. Mesmo diante do evidente afastamento e da construção de novos caminhos políticos por parte do ex-prefeito, Teresa continua adotando um comportamento de cautela, quase silencioso, como se ainda alimentasse a expectativa de uma reaproximação improvável.

A ex-prefeita carrega nas costas uma sequência de derrotas eleitorais que redesenharam sua trajetória política. Foram duas tentativas frustradas ao Governo de Roraima e outras duas disputas sem sucesso ao Senado. Dentro desse cenário, Arthur Henrique surgia como a peça capaz de mantê-la viva no centro do tabuleiro. Criado politicamente dentro do grupo teresista, Arthur não apenas recebeu apoio eleitoral. Recebeu estrutura, visibilidade, confiança e o empurrão decisivo que o transformou de jovem promessa em prefeito da capital.

Mas a política, especialmente em Roraima, raramente respeita relações de gratidão. Arthur escolheu outro caminho. E escolheu fazê-lo sem rompimentos públicos, sem discursos inflamados e sem grandes explicações. O silêncio passou a ser sua principal linguagem. Quando há algum tipo de comunicação indireta, ela acontece em postagens nas redes sociais, mensagens subjetivas e recados cifrados que alimentam interpretações nos bastidores, mas sem nunca admitir explicitamente a ruptura.

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O que chama atenção é que Teresa parece se recusar a aceitar o rompimento definitivo. Em condições normais, seria esperado um movimento de reação, uma ofensiva política ou até mesmo uma exposição pública das mágoas acumuladas. Afinal, Arthur foi alçado ao poder pelas mãos dela. Porém, Teresa demonstra agir como alguém que ainda acredita numa última conversa, numa ligação inesperada ou num gesto de reconhecimento tardio vindo do antigo aliado.

Só que os movimentos políticos mais recentes mostram exatamente o contrário. Antes mesmo da eleição suplementar entrar no radar, Arthur já mantinha alinhamentos políticos distantes do grupo teresista, especialmente com Antonio Denarium e Edilson Damião. O desenho pensado para 2026 previa Arthur e Denarium disputando as vagas ao Senado. Teresa simplesmente não fazia parte desse projeto.

Agora, com o novo cenário eleitoral em formação, Arthur continua ampliando alianças sem abrir espaço para a antiga mentora. Nos bastidores, o ex-gestor da Capital aproxima-se de nomes como Nicoletti e Gerlane Baccarin para composições futuras ao Senado. Em determinados momentos, até a deputada federal Helena Lima apareceu no entorno dessas articulações. E cada nova aliança construída por Arthur parece funcionar como mais um tijolo erguido no muro que o separa politicamente de Teresa.

Ainda assim, Teresa aparenta permanecer presa a uma memória afetiva e política do passado. Talvez ainda enxergue naquele prefeito o jovem Arthur Henrique, filho do fiel escudeiro Arthur Machado, o rapaz que ela ajudou a formar, apoiando estudos, oferecendo oportunidades e abrindo portas até transformá-lo em vice-prefeito e, depois, sucessor na Prefeitura de Boa Vista. Existe, aparentemente, a esperança de que alguma lembrança dessa trajetória comum desperte nele um sentimento de lealdade adormecida. Mas, até aqui, Arthur Henrique não emite qualquer sinal de que esteja disposto a revisitar esse passado.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Valério