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Uma capacitação focada em turismo inclusivo e segurança foi recentemente concluída na Serra do Tepequém, em Amajari, Roraima, com o objetivo de preparar guias, condutores e proprietários de empreendimentos hoteleiros para oferecer atendimento especializado a famílias atípicas. A iniciativa, parte do projeto Turistea do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), visou aprimorar a experiência de visitantes em destinos turísticos remotos.
Durante a ação, os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar conhecimentos em técnicas de primeiros socorros, com aulas práticas direcionadas para situações emergenciais em áreas remotas. Essa abordagem é crucial para a segurança dos turistas em um ambiente desafiador como a Serra do Tepequém.
Luiz Sabanero, condutor turístico na Serra do Tepequém há uma década, enfatizou a importância da qualificação. “É uma demanda crescente, e nós não tínhamos as ferramentas necessárias para atendê-la. Agora, conseguimos nos capacitar e aprender a lidar com pessoas com autismo, TDAH ou outras condições”, afirmou.
Ele complementou que essa formação é fundamental, pois “é preciso ter sensibilidade na forma de se comunicar e conhecer os aspectos sensoriais, auditivos, entre outras características” de cada indivíduo.
Para Sabanero, o maior desafio do turismo, especialmente o inclusivo, reside nas particularidades geográficas da região serrana em contraste com a capital, que possui relevo predominantemente plano. Ele destacou a necessidade de profissionais preparados para atuar em um bioma distinto, repleto de cachoeiras e áreas elevadas.
“É de extrema importância termos profissionais capacitados para o turismo inclusivo. Nossa serra tem um bioma completamente diferente do lavrado. Aqui, há muitas cachoeiras e áreas elevadas que exigem cuidado e atenção, principalmente no atendimento a famílias atípicas. É essencial adquirir conhecimento e se especializar para prestar um serviço de qualidade”, explicou.
Impacto na vida pessoal e profissional
Laiane Cardoso, instrutora de esportes em um hotel de Tepequém há três anos e mãe de uma menina com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ressaltou o duplo benefício da capacitação. Segundo ela, o aprendizado a auxiliará tanto na rotina com a filha quanto na maneira de conduzir as atividades em seu local de trabalho.
“Esse curso vai impactar e influenciar diretamente o meu trabalho, na forma como vou saber lidar com esse público e desenvolver determinadas atividades. Algumas habilidades que foram ensinadas vou poder adaptar para atuar com eles”, comentou Laiane.
Qualificação acessível para a região
Jane Lira, coordenadora do projeto Turistea, explicou que o curso foi planejado para capacitar os profissionais a oferecerem um atendimento mais inclusivo a turistas com TEA. A formação abrange desde a compreensão do autismo e seus níveis de suporte até questões de mobilidade adaptadas à realidade local, incluindo aspectos sensoriais e seletividade alimentar.
“São quatro dias de capacitação, com aulas teóricas e práticas. Os participantes ainda irão à mata para aprender como proceder caso ocorra algum acidente, até a chegada do socorro”, detalhou Lira, enfatizando a abrangência do treinamento.
A coordenadora também salientou a relevância de levar o curso diretamente para Tepequém, eliminando a barreira logística e financeira que o deslocamento até Boa Vista representaria para os profissionais da região. “É complicado esses profissionais se deslocarem até Boa Vista para fazer uma capacitação, porque são vários dias. Então, nada melhor do que capacitá-los in loco”, afirmou.
Lira reforçou que a Serra do Tepequém é um dos destinos turísticos mais procurados de Roraima, atraindo visitantes de dentro e fora do estado, o que justifica a urgência de uma equipe local bem preparada.
Primeiros socorros em áreas de difícil acesso
Igor Tavares, instrutor de primeiros socorros, detalhou que o treinamento visa preparar guias, condutores e demais trabalhadores do setor para agir com segurança em situações de urgência, especialmente em locais de difícil acesso, como trilhas e cachoeiras. O foco é garantir uma resposta rápida e eficiente enquanto aguardam a chegada de equipes especializadas, como o Corpo de Bombeiros ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Entre os tópicos abordados estão técnicas de curativos, controle de hemorragias, imobilização de fraturas e o manejo adequado da vítima, incluindo formas seguras de transporte durante o primeiro atendimento.
“O guia é a primeira pessoa que está ao lado do turista quando ocorre um acidente. Então, enquanto não chega o socorro, os próprios guias podem dar esse suporte. Quando a gente atua com pessoas autistas, por exemplo, ou que demandem outra necessidade, precisamos ter um olhar diferenciado, que será de acordo com a sua condição”, destacou o instrutor, sublinhando a importância da sensibilidade no atendimento.
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