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Boa Vista segue sem contar com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), estrutura considerada estratégica para desafogar hospitais e ampliar o acesso da população aos serviços de urgência e emergência. Embora recursos federais tenham sido destinados para a construção da primeira unidade da capital, a obra permanece sem previsão de início.
A situação voltou ao centro do debate após manifestações da deputada federal , autora das emendas parlamentares que garantiram o financiamento do projeto. Segundo a parlamentar, os recursos foram encaminhados ainda nos primeiros anos de seu mandato, mas sucessivas mudanças no projeto impediram o avanço da obra.
Em janeiro deste ano, Helena Lima publicou um vídeo ao lado do então prefeito questionando quando a unidade começaria a ser construída. Na ocasião, o gestor informou que o empreendimento entraria na fase de licitação. Desde então, não houve anúncio público sobre o início das obras.
De acordo com a deputada, a proposta passou por diversas reformulações ao longo do processo.
“A indicação da primeira UPA de Boa Vista ocorreu em 2023. Destinamos os recursos, foi elaborado um projeto, depois houve a necessidade de ampliar a contrapartida municipal. Em seguida foram solicitados novos recursos para ampliar a estrutura. Houve mudança de terreno, necessidade de refazer o projeto e, até agora, a construção não começou”, declarou.
Segundo ela, os recursos continuam disponíveis e aptos para utilização. O investimento previsto soma R$ 6,7 milhões.
Estrutura prometida pode reduzir pressão sobre o HGR
O projeto prevê uma unidade de porte ampliado, com funcionamento 24 horas e capacidade para realizar exames laboratoriais, raio-X, tomografia e estabilização de pacientes.
Na prática, a estrutura funcionaria como um elo entre as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e o , absorvendo casos de média complexidade e reduzindo a sobrecarga da rede hospitalar.
Sem a UPA, demandas que poderiam ser resolvidas em uma unidade intermediária continuam sendo encaminhadas para hospitais já pressionados pela alta procura.
Vereadores acumulam denúncias sobre funcionamento das UBSs
Enquanto a construção da UPA permanece indefinida, problemas relacionados à atenção básica têm sido alvo frequente de fiscalização na Câmara Municipal.
Os vereadores e estão entre os parlamentares que mais têm cobrado explicações sobre o funcionamento da rede municipal de saúde.
Nos últimos meses, ambos realizaram visitas técnicas, apresentaram requerimentos e solicitaram esclarecimentos à Secretaria Municipal de Saúde sobre questões que envolvem abastecimento de medicamentos, estrutura das unidades e acesso da população aos serviços.
Ítalo Otávio afirma ter encaminhado diversos ofícios ao Executivo municipal solicitando informações sobre o uso de recursos federais destinados à atenção básica e sobre o fornecimento de medicamentos.
Entre as reclamações apresentadas ao gabinete do parlamentar estão relatos de falta de remédios de uso contínuo, dificuldades no acesso a medicamentos destinados a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e questionamentos relacionados a repasses vinculados ao programa Previne Brasil.
Falta de materiais afeta serviços odontológicos
Na Comissão de Saúde da Câmara Municipal, presidida por Professor Dr. Thiago Reis, parte das cobranças tem se concentrado nas condições de funcionamento das UBSs.
Durante audiências e prestações de contas da Secretaria Municipal de Saúde, o vereador questionou episódios de interrupção de atendimentos odontológicos em algumas unidades por falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e materiais básicos utilizados pelos profissionais.
Segundo relatos encaminhados à comissão, a escassez de insumos levou à suspensão temporária de procedimentos considerados essenciais para a assistência primária.
O parlamentar também defende maior transparência na divulgação dos indicadores da saúde municipal e participou da aprovação de medidas voltadas ao aprimoramento da fiscalização dos relatórios apresentados pelo Executivo.
Filas, demora e superlotação preocupam usuários
Além das dificuldades estruturais, moradores relatam obstáculos para conseguir atendimento nas UBSs.
As reclamações incluem filas formadas durante a madrugada para marcação de consultas, demora no atendimento, escassez de profissionais e cancelamento de procedimentos por ausência de servidores.
Uma das situações mais citadas ocorreu na UBS Dr. Jan Roman Wilt, localizada no Conjunto Pérola. A unidade passou a absorver parte da demanda após o fechamento temporário da UBS Délio Tupinambá para obras, gerando relatos de superlotação e longos períodos de espera.
Também há registros de pacientes aguardando meses e, em alguns casos, mais de um ano por consultas especializadas encaminhadas pelo Sistema de Regulação (Sisreg).
Atendimento noturno segue como desafio
A limitação do atendimento fora do horário comercial também aparece entre as principais queixas da população.
Embora algumas unidades operem em horário estendido, a maior parte da rede básica encerra os atendimentos no início da noite, obrigando pacientes a procurar hospitais estaduais para situações que poderiam ser resolvidas em estruturas intermediárias.
A inexistência de uma UPA em funcionamento amplia esse problema, especialmente para moradores de bairros mais afastados e para famílias que necessitam de atendimento durante a noite, fins de semana e feriados.
Debate envolve gestão, planejamento e execução dos recursos
Dados oficiais mostram que Boa Vista aplica na saúde percentual superior ao mínimo constitucional exigido. Ainda assim, vereadores, usuários e órgãos de controle questionam se os recursos disponíveis estão se convertendo em melhorias efetivas para a população.
Nos últimos anos, o Ministério Público também precisou intervir em situações envolvendo restrições de atendimento em unidades de saúde, reforçando o princípio da universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
Enquanto a discussão sobre eficiência da gestão permanece em pauta, a primeira UPA de Boa Vista continua sendo uma promessa aguardada por milhares de usuários que dependem diariamente da rede pública.
Para quem enfrenta filas, demora no atendimento e dificuldades de acesso aos serviços básicos, a expectativa é que os investimentos já anunciados finalmente se transformem em obras concluídas, ampliação da estrutura e atendimento mais ágil.
Publicado por:
Luiz Valério
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