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O senador Hiran Gonçalves, presidente do Progressistas em Roraima, gravou um vídeo para falar sobre os rumos da federação formada por PP e União Brasil. Pelo conteúdo e, sobretudo, pelo momento escolhido para a publicação, o vídeo tem cheiro, forma e conteúdo de recado político.
Na política, quase nada acontece por acaso. Muito menos vídeos gravados por presidentes de partidos em plena temporada de montagem das chapas eleitorais.
A manifestação de Hiran veio logo depois de o presidente estadual do União Brasil, ex-governador Edilson Damião, afirmar que havia conversado com o ex-prefeito Arthur Henrique, do PL, e que ainda pretendia conversar com o governador Soldado Sampaio antes de decidir quem a legenda apoiará para o Governo de Roraima nas eleições de outubro.
Hiran disse estar preocupado com a movimentação da federação e alertou que é preciso agir com cuidado. A preocupação declarada passa, principalmente, pela disputa interna em torno da candidatura ao Senado.
De um lado está o pastor Isamar Ramalho, nome aprovado pela direção estadual do União Brasil. Do outro, Tânia Soares, cuja possível candidatura conta com a simpatia de setores próximos ao ex-governador Antonio Denarium.
Mas existe um detalhe importante nessa história: a decisão final pode não ser tomada em Roraima.
A presidência nacional da federação, comandada politicamente por Antônio de Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do Progressistas, tem poder para interferir na composição das candidaturas. E Hiran Gonçalves, hoje politicamente mais alinhado ao grupo de Denarium, poderá usar sua influência em Brasília para tentar favorecer Tânia Soares.
Não afirmo que isso acontecerá. Digo apenas que essa possibilidade está sobre a mesa — e seria ingenuidade fingir que ela não existe.
O mesmo raciocínio vale para a disputa pelo Governo de Roraima.
Embora o União Brasil estadual ainda converse com Arthur Henrique e Soldado Sampaio, o Progressistas dispõe de três dos cinco votos da direção local da federação. O União Brasil possui apenas dois.
Traduzindo do partidário para o português claro: Hiran tem a maioria.
No frigir dos ovos, o União Brasil poderá ser levado a apoiar Arthur Henrique, mesmo que parte de suas lideranças locais prefira caminhar com Soldado Sampaio. Hiran é hoje adversário político do governador e dificilmente usará sua maioria para entregar a federação ao palanque de um desafeto.
Eis a ironia: o União Brasil pode até conduzir as conversas, mas é o Progressistas quem segura a caneta com mais força.
Essa eventual decisão criaria um problema adicional para os deputados estaduais que migraram para o União Brasil mantendo proximidade política com Sampaio. Por fidelidade partidária, eles poderão encontrar dificuldades para participar abertamente da campanha do governador caso a federação formalize apoio a Arthur Henrique.
Ficarão entre a preferência política e a disciplina partidária. Entre o palanque desejado e o palanque autorizado.
É nesse ponto que o vídeo de Hiran deixa de parecer apenas uma manifestação de preocupação e passa a ser lido como advertência. O senador parece lembrar aos aliados que a federação não será conduzida exclusivamente pelos desejos da direção estadual do União Brasil.
Há uma correlação de forças. Há interesses nacionais. Há alianças locais. E há, naturalmente, contas políticas ainda abertas.
O cenário para outubro continua nebuloso. Mas algumas nuvens já têm nome, sobrenome e endereço partidário.
Resta saber se o vídeo de Hiran foi apenas um aviso de mau tempo ou o primeiro trovão de uma tempestade que já começou.
Publicado por:
Luiz Valério
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