Sob luzes de palco e vozes em uníssono, Mucajaí deu início à programação da Semana Santa no último domingo, dia 29, transformando a Cidade Cenográfica Estevam dos Santos em um grande templo a céu aberto. Cerca de mil fiéis participaram do culto especial promovido pelo Conselho Municipal de Ministros Evangélicos. O encontro revelou mais do que uma celebração religiosa. Mostrou a convergência entre fé, gestão pública e ocupação simbólica do espaço urbano.

A celebração foi marcada por momentos de louvor, apresentações coreografadas e uma liturgia coletiva que reuniu diferentes denominações evangélicas. Pelo segundo ano consecutivo, o palco principal, tradicionalmente associado às encenações da Paixão de Cristo, foi adaptado para receber o culto, consolidando a presença evangélica no calendário oficial do município.

Esse movimento não é apenas litúrgico. Ele também carrega um sentido institucional. Ao integrar diferentes expressões religiosas na programação pascal, a gestão municipal sinaliza uma política de reconhecimento da pluralidade de fé. Na prática, o protagonismo evangélico ganha cada vez mais visibilidade.

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Estrutura que transforma a experiência

Se antes a fé exigia esforço logístico, agora ela encontra suporte. A mudança na infraestrutura foi um dos pontos mais celebrados pelos participantes. A estrutura montada pela Prefeitura substituiu o improviso de anos anteriores e elevou o padrão do evento.

“Em anos anteriores, os próprios membros precisavam transportar equipamentos de som e cadeiras das igrejas para os cenários. Agora, contamos com uma megaestrutura pronta, o que valoriza o nosso culto”, destacou Nilene Alves, representante da Igreja IDPB.

A fala sintetiza uma virada importante. Quando o poder público entra em cena, a experiência religiosa ganha escala, estética e alcance.

Presença política e capital simbólico

O culto também foi espaço de articulação institucional. Estiveram presentes o prefeito Chiquinho Rufino, além de secretários municipais e vereadores. A participação de autoridades reforça o papel desses eventos como espaços de visibilidade política, onde fé e gestão pública dialogam diante de uma plateia numerosa.

Mais do que um gesto protocolar, a presença do Executivo e do Legislativo indica o peso que manifestações religiosas têm na construção de vínculos sociais e capital político na região.

Um palco, múltiplos significados

A Cidade Cenográfica Estevam dos Santos segue como epicentro das atividades da Semana Santa em Mucajaí. O espaço mistura arte, tradição e espetáculo e vem se consolidando como um território híbrido, onde cultura e religião se entrelaçam, criando experiências que vão além da devoção individual.

Ali, a fé ganha forma, som e iluminação. Ao mesmo tempo, revela como os rituais contemporâneos também são narrativas públicas cuidadosamente construídas, organizadas e compartilhadas.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Roraima na Rede