O Brasil registrou, em 2025, a maior movimentação de pessoas em suas fronteiras desde o início da série histórica. Ao todo, 36,4 milhões de entradas e saídas foram contabilizadas no ano passado, um crescimento de 15,6% em relação a 2024. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), por ocasião do Dia Nacional do Imigrante.

Embora a maior parte desse fluxo seja composta por brasileiros e turistas, os números reforçam o papel estratégico de Roraima, principal porta de entrada terrestre de migrantes e refugiados no país.

Nos últimos meses, o estado passou a registrar uma mudança significativa no perfil migratório. Historicamente marcado pela chegada de venezuelanos por meio da fronteira de Pacaraima, Roraima agora recebe um número crescente de cidadãos cubanos que ingressam no Brasil pela rota da Guiana.

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Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e da Polícia Federal mostram que, entre janeiro e abril de 2026, 7.687 cubanos solicitaram refúgio em Roraima, enquanto 3.017 venezuelanos fizeram o mesmo pedido no período. A mudança já havia sido observada em 2025, quando os cubanos também superaram os venezuelanos nas solicitações de refúgio apresentadas no estado.

Em âmbito nacional, os cubanos também passaram a liderar os pedidos de reconhecimento da condição de refugiado. Segundo o relatório Refúgio em Números 2026, elaborado pelo OBMigra em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 41.919 cubanos solicitaram refúgio em 2025, o equivalente a 55,4% de todos os pedidos registrados no país. Os venezuelanos aparecem em seguida, com 21.233 solicitações, ou 28,1% do total.

Fronteiras mais movimentadas

O levantamento do ObservaDH considera todas as entradas e saídas do território nacional, incluindo brasileiros, turistas, residentes temporários, migrantes e pessoas em trânsito.

Dos 36,4 milhões de movimentações registradas em 2025, 17,2 milhões envolveram brasileiros e 14,7 milhões corresponderam a turistas internacionais. As categorias de residentes, temporários e pessoas em trânsito representaram uma parcela bem menor do total, indicando que a maior parte da circulação nas fronteiras está relacionada a viagens de curta duração e não necessariamente à imigração permanente.

Segundo o ObservaDH, os dados foram produzidos a partir de informações do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra/DataMigra), do Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra), do Sistema de Tráfego Internacional da Polícia Federal, das bases de solicitações de refúgio e dos registros administrativos do programa Aqui é Brasil.

Migração voltou a crescer após a pandemia

Os indicadores mostram que os fluxos migratórios retomaram força a partir de 2021, depois da retração causada pela pandemia de Covid-19.

O número de entradas de migrantes atingiu o recorde de 190,5 mil pessoas em 2023. Em 2025, houve uma pequena redução para 157,3 mil ingressos.

Já os registros migratórios, que formalizam a permanência de estrangeiros no país, permaneceram em níveis elevados. Após o pico de 202.044 regularizações em 2023, o Brasil registrou 199.646 pessoas regularizadas em 2025.

Brasil soma mais de 165 mil refugiados reconhecidos

O relatório mostra ainda que o Brasil recebeu 75.599 novos pedidos de refúgio em 2025. Com isso, o país contabiliza atualmente 165.774 pessoas reconhecidas como refugiadas e acumula 551.072 solicitações de refúgio desde 2010.

De acordo com a coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Fernanda da Rosa Becker, o Brasil vive um cenário de crescente diversidade migratória, exigindo políticas públicas permanentes e baseadas em informações qualificadas.

Segundo o Relatório Anual de Política Migratória do OBMigra, atualmente mais de 2 milhões de migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio compõem o cenário migratório brasileiro.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Valério, com informações da Rádio Migrante