O silêncio da estrada raramente é absoluto. No feriado, ele se mistura ao som de motores apressados, decisões rápidas demais e, por vezes, escolhas perigosas. Foi nesse cenário que a Polícia Rodoviária Federal encerrou, no domingo 5 de abril, a Operação Semana Santa 2026, após quatro dias de fiscalização intensificada nas rodovias federais de todo o país.

A ofensiva começou na quinta-feira, 2 de abril, com um objetivo claro. Reduzir riscos, preservar vidas e manter a fluidez para quem decidiu viajar. Mas os números revelam um retrato mais inquietante do comportamento ao volante.

O foco principal das abordagens esteve nas ultrapassagens proibidas, uma das manobras mais letais no trânsito brasileiro. Ao todo, 4.744 motoristas foram flagrados desrespeitando a sinalização, seja invadindo faixa contínua, seja realizando ultrapassagens pela direita. Um gesto de segundos que pode custar vidas inteiras.

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A pressa também deixou marcas expressivas. Os radares registraram 31.797 imagens de veículos acima da velocidade permitida, consolidando o excesso de velocidade como a infração mais recorrente no período. Em paralelo, o básico ainda falha. Foram 4.795 autuações por falta de uso do cinto de segurança ou da cadeirinha para crianças, dispositivos que transformam impacto em sobrevivência.

O uso do celular ao volante, um hábito que mistura distração e risco, resultou em 455 autuações. Entre motociclistas, a ausência de capacete somou 1.179 registros, expondo condutores e passageiros a um risco direto e evitável.

As fiscalizações de alcoolemia também ganharam força. Mais de 65,5 mil testes com etilômetro foram realizados. O resultado revela um dado persistente. 1.293 motoristas foram autuados por dirigir sob efeito de álcool e 67 acabaram detidos.

No balanço geral, a PRF fiscalizou cerca de 79 mil veículos e 101 mil pessoas. As ações educativas alcançaram mais de 22,5 mil cidadãos, numa tentativa de ir além da punição e tocar a consciência. Ainda assim, 2.700 veículos precisaram ser recolhidos por irregularidades.

O dado mais duro, no entanto, não cabe em planilhas frias. Entre os dias 2 e 5 de abril, foram registrados 808 sinistros nas rodovias federais. O saldo é um lembrete incômodo. 57 mortes e 814 pessoas feridas.

No recorte por estados, Santa Catarina lidera o número de ocorrências, com 104 registros. Minas Gerais aparece logo atrás, com 103 acidentes, e ocupa o primeiro lugar em número de mortes, com 13 vítimas fatais. Paraná fecha o topo da lista, com 91 sinistros.

Os números ainda são preliminares, sujeitos à consolidação nos sistemas da PRF. Mas já dizem o essencial. A estrada não perdoa improviso. E, no fim, cada estatística carrega uma história que poderia ter terminado diferente.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Roraima na Rede, com informações da PRF