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BLOG DO LUIZ VALÉRIO

PF prende candidato Daniel Trindade durante operação em Roraima; listas com nomes de possíveis eleitores são apreendidas

Operação Cunhambebe investiga suspeita de grupo armado, cursos clandestinos de segurança e ações contra fiscalização ambiental; material encontrado durante buscas poderá abrir nova frente de investigação

O candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL) foi preso em flagrante pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (25), durante a Operação Cunhambebe, realizada em Roraima. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao candidato em Boa Vista e no município do Cantá.

Durante o cumprimento das medidas judiciais, policiais encontraram listas contendo nomes de possíveis eleitores, segundo informações apuradas pela imprensa local. O material foi apreendido e deverá passar por análise da Polícia Federal.

A localização das listas acrescenta uma possível vertente eleitoral à apuração, mas, até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de que os nomes correspondam a eleitores que teriam recebido dinheiro ou alguma vantagem em troca de votos.

Também não havia informação oficial detalhando se a prisão em flagrante ocorreu especificamente em razão das listas ou por outro material localizado durante as buscas. A própria Folha BV, que confirmou a prisão, informou que a PF ainda não havia esclarecido esse ponto.

Apesar da descoberta do material com possíveis implicações eleitorais, a Operação Cunhambebe não teve como origem uma investigação sobre compra de votos.

As investigações que levaram à operação estão relacionadas à possível formação de um grupo armado organizado, além da realização de cursos clandestinos de segurança privada e de ações destinadas a dificultar fiscalizações realizadas por órgãos públicos na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, as apurações tiveram início depois de episódios de hostilidade durante uma fiscalização ambiental realizada por órgãos federais.

Agentes públicos teriam sido perseguidos, vias teriam sido bloqueadas e integrantes da fiscalização teriam sido alvo de ataques praticados por pessoas que atuavam na região.

A investigação também identificou a divulgação de cursos apresentados como de “segurança privada”, que teriam sido realizados sem autorização da Polícia Federal. O conteúdo envolveria técnicas operacionais relacionadas à atividade de segurança.

Justiça impôs restrições a Daniel

Conforme informações divulgadas nesta sexta-feira, a operação foi autorizada pelo juiz Victor Oliveira de Queiroz, da 4ª Vara Federal Criminal de Roraima.

A decisão autorizou a apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais considerados relevantes para a investigação. Também permitiu a realização de revista pessoal no candidato em via pública, diante da informação de que ele realiza deslocamentos frequentes pelo interior durante a campanha.

A Justiça ainda determinou que Daniel Trindade não entre em terras indígenas de Roraima e não mantenha contato com integrantes da Comunidade Napoleão nem com o presidente da Associação dos Arqueiros do Estado, segundo reportagem baseada na decisão judicial.

Um curso de segurança privada relacionado ao candidato também teria sido suspenso por 180 dias, sob a alegação de que funcionava sem a autorização exigida. A decisão prevê a possibilidade de prisão preventiva caso as medidas cautelares sejam descumpridas.

Crimes investigados

Entre os crimes investigados, em tese, estão constituição de milícia privada, incitação ao crime, receptação qualificada, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, exercício ilegal de atividade econômica e embaraço à fiscalização ambiental.

A operação busca identificar a extensão das atividades investigadas, eventuais outros participantes e interromper possíveis práticas ilícitas.

Listas podem abrir nova frente de apuração

A apreensão das listas com nomes de possíveis eleitores ganha relevância porque ocorreu a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

Daniel Pedreiro da Trindade, de 42 anos, concorre a deputado federal pelo PL de Roraima, com o número 2222. Dados eleitorais disponíveis indicam que sua candidatura está deferida.

Dados de prestação de contas eleitoral compilados a partir da base do TSE indicam ainda que a campanha recebeu R$ 800 mil da direção nacional do PL, provenientes do financiamento partidário da campanha. Esse dado, por si só, não possui relação demonstrada com os fatos investigados pela Polícia Federal.

A existência de uma lista de nomes também não comprova compra de votos. Para caracterizar eventual captação ilícita de sufrágio, será necessário verificar o conteúdo do material, sua finalidade e se existem outros elementos que indiquem oferta, promessa ou entrega de vantagem a eleitor em troca do voto.

Até o momento, portanto, o que está confirmado pela cobertura disponível é que as listas foram apreendidas durante a operação e serão analisadas pela Polícia Federal.

A PF ainda deverá esclarecer formalmente qual fato provocou a prisão em flagrante de Daniel Trindade e se o material encontrado dará origem a uma investigação eleitoral específica.

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