Mulheres negras de Roraima e dos demais estados da Região Norte têm até este domingo (27) para inscrever filmes e videoclipes na segunda edição do Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra. O evento será realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, em Goiânia (GO), com programação gratuita.
As inscrições são destinadas a produções dirigidas por mulheres negras de diferentes regiões do país. O festival terá duas mostras audiovisuais, além de shows, oficinas, debates, feira de afroempreendedorismo e o 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás.
Uma das categorias é a Mostra Marta Cezaria de Curtas-Metragens, voltada a filmes de ficção, documentário, animação, experimental ou híbridos, dirigidos ou codirigidos por mulheres negras. As produções precisam ter entre 5 e 30 minutos de duração e ter sido finalizadas a partir de janeiro de 2023.
A mostra terá caráter competitivo, com premiação em dinheiro e troféus nas categorias Melhor Filme, escolhido pelo júri popular, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora.
Também haverá uma Mostra de Videoclipes, de caráter não competitivo. Nessa categoria, serão selecionadas produções dirigidas por mulheres negras e que tenham como elemento central músicas autorais de artistas independentes.
Segundo a organização, as duas mostras terão cotas regionais no processo de seleção, o que amplia a possibilidade de participação de realizadoras do Norte. As obras escolhidas receberão taxa de licenciamento.
As cineastas selecionadas também terão hospedagem, alimentação e transporte custeados pelo festival para participação na programação em Goiânia. Após as exibições, estão previstos debates com as realizadoras.
O regulamento completo e o formulário para inscrição estão disponíveis no perfil do Festival Diaspóricas no Instagram.
Homenagem a pioneira do cinema negro
A mostra competitiva leva o nome de Marta Cezaria, uma das pioneiras do movimento negro feminista em Goiânia. Ela iniciou a trajetória no cinema aos 60 anos e percorreu comunidades quilombolas de Goiás para a produção do documentário Se Eu Fosse Uma Flor, lançado em 2013.
Marta também é fundadora do Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado, organização dedicada ao enfrentamento do racismo e da discriminação de gênero.
Além das exibições, a programação terá oficinas e mesas de discussão. Entre as cineastas anunciadas estão Juh Almeida, Glenda Nicácio e Renata Diniz.
O festival também realizará pela primeira vez o Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás, reunindo profissionais do audiovisual e integrantes da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan) para discutir estratégias de fortalecimento da produção audiovisual negra.
Música e afroempreendedorismo
A programação se estende à música. O Palco Afrogoianidades terá nove apresentações de artistas e grupos regionais e nacionais durante os três dias do festival. Os shows estão previstos para começar às 18h30, e a programação completa ainda será divulgada.
Outra atividade será a Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras, destinada a expositoras de áreas como artesanato, gastronomia, vestuário e serviços. Nesse caso, as inscrições seguem até 9 de outubro.
A feira homenageia Anadir Cezario, assistente social e cofundadora do Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado. Ela também criou o Coletivo de Mulheres da Comurg e desenvolve projeto voltado à transformação de materiais recicláveis em artesanato e geração de renda.
O Festival Diaspóricas é organizado pela Coletiva Diaspóricas, formada majoritariamente por artistas negras e dedicada a iniciativas nos setores de audiovisual, música e afroempreendedorismo.
A programação da segunda edição será realizada no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG), em Goiânia, entre 12 e 14 de novembro, com entrada gratuita.
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