28 de abril de 2026

A Polícia Civil de Roraima (PCRR) realizou nas primeiras horas desta segunda-feira, 27, a Operação Mantus, resultando no cumprimento de oito mandados de prisão preventiva. As detenções ocorreram em Roraima, com sete mandados cumpridos no estado, e um no estado de Goiás.

A iniciativa teve como foco principal influenciadores digitais sob investigação por promoverem jogos de azar não autorizados, conhecidos popularmente como “jogo do tigrinho”. Além disso, os investigados são apurados por crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro.

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Além das prisões, a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) executou 11 mandados de busca e apreensão. Houve também o sequestro de bens móveis e imóveis, e o bloqueio de valores que podem atingir R$ 68 milhões em contas bancárias e aplicações financeiras dos envolvidos.

Durante a ação no bairro Caçari, um empresário que era alvo da investigação foi detido em flagrante por porte ilegal de munição.

A operação é fruto de uma investigação que se estendeu por aproximadamente 18 meses, iniciada em setembro de 2024. As apurações revelaram um esquema organizado, com forte presença e atuação nas redes sociais.

Conforme o delegado da DERCC, Eduardo Patrício, os investigados utilizavam sua influência digital para divulgar plataformas de jogos de azar ilegais, atraindo seguidores com falsas promessas de ganhos financeiros rápidos e fáceis.

“As investigações evidenciaram uma atuação organizada, com uso estratégico das redes sociais para atingir um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, ressaltou o delegado.

O delegado informou ainda que o grupo movimentou cerca de R$ 260 milhões em um período de dois anos, um montante considerado desproporcional à renda declarada pelos investigados.

“Identificamos um crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo, imóveis e bens de alto padrão, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro”, completou.

Prisões e investigados

Entre os detidos sob mandado de prisão preventiva estão a influenciadora A.V.A.J., de 29 anos, e seu marido, D.S.S., de 37 anos. A influenciadora A.L.F., de 28 anos, o influenciador de Goiás G.S.S.C., de 25 anos, a influenciadora L.R.G.S., de 31 anos, o influenciador P.A.S.R., de 27 anos, a comunicadora R.S.C., de 39 anos, e a influenciadora V.R.S., de 26 anos, também foram presos.

Outros indivíduos também foram alvo de medidas judiciais, como mandados de busca e apreensão em suas residências. Entre eles estão a esteticista J.L.N., de 23 anos, a influenciadora V.P.B., de 26 anos, e o empresário do ramo automobilístico R.F.B.R., de 28 anos.

Diligências em vários bairros

Ao todo, dez equipes policiais, sob a coordenação de delegados de diversas unidades, atuaram de forma simultânea em vários bairros de Boa Vista. As ações ocorreram em áreas como Cidade Satélite, Caranã, Cambará, Aparecida, Buritis, Centro, Caçari, Jardim Floresta e Jardim Primavera.

Mandados também foram cumpridos em estabelecimentos comerciais ligados aos investigados, ampliando o alcance da operação.

Apreensões e bloqueios

De acordo com o delegado da DERCC, durante a operação foram apreendidos celulares, notebooks, outros dispositivos eletrônicos, documentos físicos e digitais, veículos de alto valor e bens de luxo, como joias e acessórios.

Adicionalmente, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de patrimônio, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro do esquema criminoso associado ao “jogo do tigrinho”.

Desdobramentos

A primeira fase da Operação Mantus concentrou-se nos influenciadores responsáveis pela divulgação direta dos jogos ilegais. Com a coleta de evidências, novos desdobramentos são esperados em ações futuras.

“A partir da análise do material apreendido, poderemos avançar na identificação de outros envolvidos, inclusive possíveis financiadores e estruturas de apoio ao esquema”, explicou o delegado.

Os mandados de busca e apreensão e de prisão foram expedidos pela Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, após parecer favorável do Ministério Público.

“As investigações seguem em andamento, com possibilidade de novas fases da operação”, afirmou Eduardo Patrício.

Encaminhamento dos presos

Todos os detidos foram levados às unidades policiais responsáveis pelo cumprimento dos mandados, onde foram interrogados pelos delegados da operação.

Após os trâmites legais, os investigados permanecem à disposição da Justiça e serão apresentados em audiência de custódia nesta terça-feira, dia 28.

Origem do nome da operação

O nome “Mantus” deriva da mitologia etrusca, onde Mantus é associado ao submundo e a forças ocultas. A escolha do nome remete à atuação do grupo investigado, que operava de maneira dissimulada no ambiente digital, explorando jogos ilegais e ocultando a origem dos valores obtidos.

A denominação também simboliza o trabalho da Polícia Civil em expor práticas criminosas que, embora ocorram virtualmente e de forma aparentemente invisível, geram impactos reais e prejuízos significativos para a sociedade.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Roraima na Rede