Roraima na Rede
Anuncie aqui
--:--
RORAIMA

Estiagem reduz vazão de poços e Roraima prepara reforço no abastecimento de água

Poços que ajudam a abastecer Boa Vista já registram queda de até 30% na produção; medidas incluem novas perfurações, adutora para o João de Barro e caminhões-pipa no interior

A redução da vazão dos poços utilizados no abastecimento de Boa Vista e de municípios do interior levou à adoção de novas medidas para enfrentar os efeitos da estiagem em Roraima. Entre as ações previstas estão a perfuração de novos poços, construção de uma adutora para atender o bairro João de Barro, reforço da captação no Rio Branco e utilização de caminhões-pipa.

As medidas foram detalhadas nesta quarta-feira (7), durante coletiva realizada na Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer). O estado está em situação de emergência desde 2 de setembro, com decreto válido por 180 dias, diante das condições de estiagem associadas ao fenômeno El Niño.

Segundo o governador Soldado Sampaio, foram autorizados 35 poços, dos quais 25 seriam destinados ao interior e dez à capital. Ele informou ainda que as ações relacionadas à estiagem, envolvendo Caer, Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) e Corpo de Bombeiros, devem movimentar entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões.

Os números apresentados durante a coletiva, no entanto, divergem em relação à quantidade de poços prevista para o interior. Enquanto Sampaio citou 25 unidades, o presidente da Caer, James Serrador, informou que a companhia está investindo R$ 11 milhões na perfuração de dez poços em Boa Vista e outros dez em localidades do interior.

As três Estações de Tratamento de Água (ETAs) que captam água do Rio Branco continuam operando normalmente. O problema, neste momento, está principalmente nos mais de 100 poços que complementam o abastecimento da capital.

Segundo James Serrador, essas estruturas já apresentam redução entre 20% e 30% na produção.

“A nossa produção de água nas três ETAs do Rio Branco está normal. Mas Boa Vista também é abastecida por mais de 100 poços, e esses poços já apresentam redução de 20% a 30%. É uma redução considerável na oferta de água”, afirmou.

Dois novos poços já foram perfurados, um na Vila Jardim e outro no João de Barro. Também estão previstas perfurações em áreas como Pintolândia, Cidade Satélite, Senador Hélio Campos, São Bento, Dr. Airton Rocha/Pérola e Jardim Primavera.

João de Barro terá adutora de R$ 5,5 milhões

Uma das principais intervenções previstas é a construção de uma adutora entre o Centro de Reservação e Distribuição (CRD) Cidade Satélite e o CRD João de Barro.

A estrutura terá aproximadamente 5,5 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 5,5 milhões. A previsão é transportar cerca de 3 milhões de litros de água por dia e reforçar o abastecimento de aproximadamente 15 mil moradores.

As obras devem começar ainda em outubro, com prazo estimado de seis meses para conclusão.

De acordo com a Caer, o João de Barro funciona atualmente como um sistema isolado e apresenta dificuldades para obtenção de água por meio de novos poços. Além da adutora, estão previstos uma estação elevatória no Cidade Satélite e dois poços destinados ao envio de água para o bairro.

A estiagem também começa a afetar sistemas de abastecimento no interior. A Caer prevê novos poços em localidades de Normandia, Bonfim, Mucajaí, Caracaraí, Vila Félix Pinto, Rorainópolis e Caroebe.

Em Rorainópolis, os 16 poços existentes apresentam perda estimada de 25% na produção. A companhia informou que realizou limpeza das estruturas para tentar recuperar a vazão e já utiliza caminhão-pipa. Também estão previstos quatro novos poços e três caminhões-pipa.

A situação é mais acentuada em Caroebe, onde dois poços apresentam redução de aproximadamente 40% na produção. A queda já afeta a pressão e o fornecimento nos bairros Nova Canaã, 7 de Setembro e Bela Vista. Para o município estão previstos dois novos poços e dois caminhões-pipa. Também há medidas planejadas para Vila Félix Pinto, Pacaraima e Vila Vista Alegre, em Caracaraí.

Apesar da estiagem, a captação de água do Rio Branco permanece normal. Como medida preventiva, foi instalado em uma balsa flutuante um novo conjunto motobomba de 300 CV.

O equipamento poderá ser acionado caso o nível do rio continue baixando e alcance uma situação considerada crítica para o funcionamento do sistema. 

A Caer também pede redução do consumo desnecessário durante o período seco, principalmente em atividades como lavagem de calçadas e veículos e irrigação frequente de jardins. Segundo James Serrador, o objetivo é evitar que o agravamento da estiagem leve à necessidade de racionamento ou rodízio no abastecimento.

Focos de queimada aumentam

Os efeitos do período seco também aparecem nos registros de queimadas. Segundo a Femarh, mais de 60 focos de queima foram identificados no período analisado até esta quarta-feira. De acordo com o órgão, o número corresponde ao dobro do registrado durante todo o período equivalente do ano anterior.

O Comitê de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais deve se reunir no dia 14 de outubro para avaliar as condições ambientais e decidir sobre a manutenção do calendário de autorizações para queimadas controladas.

O Corpo de Bombeiros também iniciou ações preventivas, incluindo treinamento de brigadistas e produtores rurais e previsão de reforço das equipes. A preocupação envolve não apenas a disponibilidade de água para consumo humano, mas também possíveis impactos da estiagem sobre a agricultura e a pecuária.

GaleriaGaleriaGaleriaGaleria
PARTICIPE

Comentários

0 comentário(s)
Seu comentário será publicado automaticamente.
Seja o primeiro a comentarEnvie sua opinião sobre esta notícia.