Os cubanos assumiram, pela primeira vez, a liderança entre os estrangeiros que solicitaram refúgio no Brasil, ultrapassando os venezuelanos e consolidando uma mudança importante no cenário migratório nacional. Os dados constam no relatório Refúgio em Números 2026, divulgado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Segundo o levantamento, o Brasil registrou 75.599 pedidos de refúgio em 2025. Desse total, 41.919 foram apresentados por cidadãos cubanos, o equivalente a 55,4% de todas as solicitações protocoladas no país. O volume representa um crescimento de 88,1% em relação ao ano anterior.

Os venezuelanos aparecem na segunda posição, com 21.233 pedidos, correspondendo a 28,1% do total. Em seguida vêm colombianos (1.432), angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganenses (792).

Leia Também:

Roraima ganha protagonismo na nova rota migratória

A ascensão dos cubanos nos pedidos de refúgio tem reflexos diretos em Roraima. Nos últimos anos, o estado passou a figurar como uma das principais portas de entrada para cidadãos cubanos que chegam ao Brasil pela fronteira com a República Cooperativista da Guiana.

Dados divulgados pelo OBMigra e pela Polícia Federal mostram que apenas entre janeiro e abril de 2026 foram registrados 7.687 pedidos de refúgio de cubanos em Roraima, mais que o dobro dos 3.017 pedidos feitos por venezuelanos no mesmo período.

O fluxo ocorre principalmente pela região de Bonfim, município localizado na fronteira com a Guiana. Organismos internacionais já apontavam a rota guianense como corredor utilizado por migrantes de diversas nacionalidades que buscam proteção internacional ou oportunidades de regularização migratória no Brasil.

Reportagens recentes também registraram aumento expressivo da migração cubana por Roraima, impulsionada pela crise econômica em Cuba e pela utilização da rota terrestre que conecta a ilha ao território brasileiro por meio da Guiana.

Norte concentra mais da metade dos pedidos

O estudo mostra que a Região Norte respondeu por 52,4% de todas as solicitações de refúgio registradas em 2025.

Entre os pedidos formalizados na região, destacam-se venezuelanos, com 13.125 solicitações, e cubanos, com 11.490 requerimentos, demonstrando que os estados amazônicos continuam sendo a principal porta de entrada dos fluxos migratórios internacionais para o Brasil.

Já o Sudeste concentrou 29,2% das solicitações, seguido pelo Sul (13,3%), Centro-Oeste (3,2%) e Nordeste (1,9%).

Tendência de crescimento

O relatório aponta que o crescimento dos pedidos de refúgio acompanha a retomada dos fluxos migratórios observada após a pandemia. O Brasil recebeu 50.355 solicitações em 2022, 58.628 em 2023, 68.159 em 2024 e alcançou 75.599 pedidos em 2025.

Especialistas observam que a presença crescente de cubanos já vinha sendo registrada nos relatórios migratórios anteriores. Em 2024, eles representaram 32,7% dos pedidos de refúgio no país, atrás apenas dos venezuelanos.

A mudança de liderança em 2025 confirma a consolidação de um novo fluxo migratório para o Brasil, com Roraima ocupando posição estratégica na recepção desses migrantes.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Valério com informações de Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil