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Boa Vista acelera sua transformação urbana com uma intervenção silenciosa, porém decisiva: abrir caminhos onde antes havia barreiras. Desde 2021, a Prefeitura implantou 22 novos acessos viários em 11 bairros da capital, redesenhando fluxos, encurtando distâncias e mudando a forma como a cidade respira no dia a dia.
A proposta é direta. Melhorar a mobilidade, reduzir o tempo de deslocamento e integrar regiões que historicamente cresceram de forma desconectada. Na prática, isso significa menos voltas desnecessárias, menos congestionamento e mais previsibilidade para quem depende da rua para viver.
Os novos acessos alcançam bairros como Canarinho, Centenário, Raiar do Sol, Nova Cidade, Jardim Tropical, Asa Branca, Olímpico, Dr. Airton Rocha, Alvorada e Dr. Silvio Botelho. Um mapa que, visto de cima, revela uma cidade que começa a se costurar melhor.
Engenharia que encurta distâncias
As intervenções vão além de abrir ruas. Envolvem construção de galerias de concreto, asfaltamento e obras de urbanização. É infraestrutura pensada para durar e sustentar o crescimento.
De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, os acessos foram projetados para aumentar a segurança viária e dar mais fluidez ao tráfego. Mas há um efeito colateral positivo que salta aos olhos: a valorização dos bairros e a sensação de pertencimento de quem vive ali.
Quando a cidade chega, o abandono recua.
O impacto real acontece no cotidiano
Na rua Tepequém, a mudança é quase palpável. A via agora conecta o bairro Dr. Airton Rocha aos conjuntos Pérola 1 e 2. Para moradores antigos, o que antes era um trajeto cansativo virou um percurso simples.
A dona de casa Maria das Graças, de 67 anos, resume a transformação com a franqueza de quem vive o território: o caminho encurtou, a rotina ficou mais leve.
Já para quem trabalha sobre duas rodas, tempo é dinheiro. A entregadora Ana Caroline, de 31 anos, viu sua produtividade saltar com a abertura de um acesso entre as ruas Julieta Pereira de Melo e Antônio Reska. Um trajeto que levava cerca de 14 minutos agora é feito em cinco.
Na lógica das cidades, cinco minutos podem significar muito. Mais entregas, mais renda, menos desgaste.
Uma cidade que se reorganiza
Os números ajudam a dimensionar a intervenção:
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Canarinho: 4 acessos
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Centenário: 1 acesso
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Raiar do Sol: 4 acessos
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Nova Cidade: 1 acesso
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Jardim Tropical: 1 acesso
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Asa Branca: 2 acessos
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Olímpico: 4 acessos
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Dr. Airton Rocha: 3 acessos
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Alvorada: 1 acesso
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Dr. Silvio Botelho: 1 acesso
Mas, para além da contagem, o que está em curso é um reposicionamento urbano. Boa Vista começa a abandonar a lógica de ilhas isoladas e ensaia uma cidade mais conectada, onde circular deixa de ser obstáculo e passa a ser direito.
Mobilidade, no fim, não é apenas sobre trânsito. É sobre acesso a trabalho, serviços e oportunidades. É sobre tempo de vida.
E tempo, como se sabe, é a moeda mais cara que existe.
Publicado por:
Luiz Valério
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