O candidato ao governo provisório de Roraima, Arthur Henrique (PL), apresentou um plano de gestão centrado na ideia de “transição responsável”, com foco em ajuste administrativo, revisão de contratos, transparência fiscal e manutenção de serviços essenciais durante o chamado mandato-tampão, que terá duração aproximada de cinco meses. O documento foi elaborado para a eleição suplementar marcada para 21 de junho e evita promessas de grandes obras ou mudanças estruturais de curto prazo. 

A proposta parte de um diagnóstico político e financeiro do Estado e sustenta que o próximo governador precisará atuar mais como gestor de reorganização administrativa do que como executor de projetos de longo prazo. No texto, Arthur afirma que a prioridade será “colocar a casa em ordem”, produzir um retrato real das contas públicas e preparar o terreno para a gestão que assumirá em janeiro de 2027. 

O plano reconhece limitações impostas pelo curto período de governo e, num movimento incomum em campanhas eleitorais, dedica uma seção ao que não pretende fazer. Entre os pontos descartados estão promessas de grandes obras, reajustes sem lastro fiscal e reformas administrativas profundas. A estratégia busca transmitir uma imagem de gestão técnica e de contenção, em contraste com discursos mais expansivos típicos de campanhas tradicionais. 

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Na área fiscal, considerada o eixo central do programa, Arthur Henrique propõe a criação do “Raio-X Roraima”, uma força-tarefa para diagnosticar a situação financeira do Estado nos primeiros 45 dias de governo. O levantamento deverá incluir análise de caixa, restos a pagar, contratos, dívida consolidada e operações de crédito em andamento. A promessa é publicar um relatório fiscal completo em até 60 dias após a posse. 

O documento também prevê um mutirão de revisão contratual em todas as áreas do Executivo, com prioridade para contratos acima de R$ 1 milhão, aditivos firmados nos últimos dois anos e despesas consideradas mais suscetíveis a desperdício, como aluguel de imóveis, frota terceirizada e tecnologia da informação. A meta anunciada é reduzir entre 3% e 5% das despesas correntes não obrigatórias do Estado. 

Na saúde, o plano concentra esforços na reorganização operacional da rede estadual. Entre as medidas previstas estão auditoria no Hospital Geral de Roraima, reposição emergencial de medicamentos, revisão de contratos hospitalares e realização de mutirões de cirurgias eletivas. O texto também cita a necessidade de integração entre hospitais públicos, unidades contratualizadas e a rede indígena de saúde. 

Na educação, Arthur Henrique promete um levantamento técnico das condições das escolas estaduais, incluindo infraestrutura, climatização e acessibilidade. O plano prevê reformas emergenciais de pequeno porte, reforço na alfabetização no interior e revisão da logística de merenda e material didático. O documento também menciona atenção específica às escolas indígenas e defesa da educação bilíngue. 

A segurança pública aparece como outro eixo prioritário da proposta. O plano prevê reforço do policiamento ostensivo em Boa Vista, ampliação da atuação integrada nas fronteiras de Pacaraima e Bonfim e aquisição de equipamentos já previstos no orçamento estadual. A estratégia inclui ainda fortalecimento da inteligência policial e medidas voltadas ao combate ao contrabando e à evasão fiscal de combustíveis. 

No campo econômico, Arthur Henrique aposta em um discurso de estímulo ao agronegócio e à iniciativa privada como forma de reduzir a dependência histórica do Estado em relação ao setor público. O programa fala em simplificação de licenças ambientais, regularização fundiária dentro da competência estadual e ampliação do acesso ao crédito para pequenos e médios produtores rurais. 

A infraestrutura viária também aparece entre as prioridades da campanha, sobretudo por causa das dificuldades enfrentadas no período chuvoso. O plano prevê mapeamento das rodovias estaduais e vicinais, operações emergenciais de recuperação de trechos críticos e articulação com o DNIT para manutenção das rodovias federais que cortam Roraima. 

Além das áreas prioritárias, o documento aborda assistência social, modernização administrativa e diversificação econômica. Em um dos trechos mais sensíveis politicamente, Arthur Henrique defende a abertura de debate técnico sobre exploração mineral e revisão de marcos fundiários e ambientais que, segundo o plano, limitam o aproveitamento econômico do potencial mineral do Estado. 

O plano de governo também reforça a ideia de monitoramento permanente das metas. A campanha promete criar um portal de transparência com atualização semanal de gastos, contratos e nomeações, além de uma “Sala de Situação” para acompanhamento em tempo real das ações do Executivo. Ao final do documento, o candidato lista 20 entregas consideradas prioritárias para o período de cinco meses. 

Mais do que um programa de expansão administrativa, o texto tenta construir uma narrativa de gestão de transição. Em vez de apresentar um catálogo de obras ou promessas de impacto imediato, Arthur Henrique aposta na defesa de um governo de reorganização fiscal, estabilidade institucional e preparação técnica do Estado para o próximo ciclo político. Em uma eleição atípica, marcada pela curta duração do mandato e pela judicialização do processo político em Roraima, o plano procura dialogar menos com a lógica tradicional de campanha e mais com a ideia de administração emergencial e previsibilidade. 

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Valério, com informações do Plano de governo de Arthur Henrique