Uma engrenagem digital que prometia ganhos fáceis e entregava prejuízo coletivo começou a ruir nesta segunda-feira, 27. A Polícia Civil de Roraima deflagrou a Operação Mantus e avançou sobre um esquema milionário ligado à divulgação de jogos de azar ilegais nas redes sociais, prática popularizada pelo chamado “jogo do tigrinho”.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva, sete em Roraima e um em Goiás, além de 11 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de contas e o sequestro de bens que podem chegar a R$ 68 milhões. Durante a ação, um empresário foi preso em flagrante por posse de munição no bairro Caçari.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos ao longo de 18 meses, revelaram um modelo sofisticado de atuação. Influenciadores digitais usavam sua visibilidade para impulsionar plataformas ilegais, atraindo seguidores com promessas de lucro rápido e sem risco.

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Na prática, o roteiro era outro. Um jogo que favorece quem opera o sistema e penaliza quem aposta.

Segundo o delegado responsável pelo caso, o grupo atuava de forma estruturada, explorando algoritmos, engajamento e linguagem persuasiva para alcançar um grande número de vítimas. O impacto, portanto, não se limita ao financeiro. É também social.

R$ 260 milhões sob suspeita

A investigação aponta que o esquema movimentou cerca de R$ 260 milhões em dois anos. Um volume incompatível com a renda declarada pelos envolvidos e que acendeu o alerta para indícios de lavagem de dinheiro.

O crescimento patrimonial chamou atenção. Veículos de luxo, imóveis e bens de alto padrão passaram a integrar o cotidiano dos investigados. Uma ascensão rápida demais para ser ignorada.

Quem são os alvos

Entre os presos estão influenciadores digitais e uma comunicadora, além de pessoas ligadas diretamente ao núcleo de divulgação. Outros investigados foram alvo de medidas cautelares, como buscas em residências e estabelecimentos comerciais.

As diligências mobilizaram dez equipes policiais que atuaram simultaneamente em bairros como Cidade Satélite, Caranã, Cambará, Aparecida, Buritis, Centro, Caçari, Jardim Floresta e Jardim Primavera.

Durante a operação, foram apreendidos celulares, notebooks, documentos físicos e digitais, além de veículos e itens de alto valor, como joias. O material deve ajudar a mapear a extensão do esquema e identificar novos envolvidos.

O bloqueio de contas e o sequestro de bens têm um objetivo claro: interromper o fluxo financeiro que sustentava a operação ilegal.

Primeira fase, novos desdobramentos

A Operação Mantus ainda está no começo. Esta primeira etapa teve como foco os responsáveis pela divulgação direta dos jogos. A análise dos dispositivos apreendidos deve abrir novas frentes de investigação e alcançar outros elos da cadeia.

Porque, no submundo digital, quem aparece na vitrine raramente atua sozinho.

No fim, o caso escancara uma tensão do nosso tempo. A economia da atenção, quando sequestrada por promessas fáceis, pode se transformar em terreno fértil para fraudes sofisticadas. E o preço, quase sempre, é pago por quem acreditou demais em atalhos.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Roraima na Rede