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Terras raras podem abrir nova frente econômica em Roraima, diz Soldado Sampaio

Pesquisas no Complexo Mineral Barreira, em Caracaraí, investigam concentrações de minerais estratégicos usados pela indústria de alta tecnologia

O governador de Roraima, Soldado Sampaio, afirmou que as pesquisas sobre terras raras realizadas no Complexo Mineral Barreira, em Caracaraí, podem abrir uma nova frente de desenvolvimento econômico para o estado. A declaração foi feita neste sábado (19), durante visita à área onde são desenvolvidos estudos sobre a ocorrência de minerais estratégicos.

A agenda marcou o encerramento do 1º Fórum de Elementos Terras Raras, Minerais Estratégicos e Críticos em Roraima, que reuniu pesquisadores, especialistas e representantes do poder público. Sampaio esteve no complexo acompanhado de pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Brasília (UnB).

Os estudos realizados na região buscam dimensionar a ocorrência e a concentração de elementos de terras raras e avaliar a possibilidade de aproveitamento econômico do depósito. Pesquisas anteriores já identificaram 16 dos 17 elementos classificados como terras raras em amostras do Complexo Barreira. Apesar dos resultados considerados promissores, os trabalhos ainda estão em fase de pesquisa e dimensionamento.

Durante o fórum realizado na sexta-feira (18), pesquisadores destacaram que o avanço dos estudos será fundamental para determinar a extensão das ocorrências minerais e as tecnologias necessárias para separação e beneficiamento dos elementos encontrados. A USP, por exemplo, desenvolve pesquisas utilizando nanotecnologia e técnicas de separação das terras raras presentes nas argilas coletadas em Roraima.

Potencial econômico

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos empregados em diferentes setores tecnológicos. Elas são utilizadas na fabricação de ímãs permanentes, equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, sensores e outras tecnologias consideradas estratégicas.

Na avaliação do governador, Roraima deve se preparar para aproveitar economicamente esses recursos caso as pesquisas confirmem a viabilidade de exploração em escala comercial.

“Isso aqui é riqueza, é um novo marco de desenvolvimento para o estado de Roraima. E cabe a nós, enquanto governo, facilitar com licença, com estrutura, apoiando os empreendedores”, afirmou Sampaio.

O Governo do Estado informou que a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) já concedeu dez Licenças Especiais para Pesquisa Mineral relacionadas ao Complexo Barreira. A concessão das licenças também foi mencionada durante o fórum realizado na Assembleia Legislativa.

O pesquisador da UFRR Carlos Lucas Vieira explicou que a concentração de minerais está relacionada às características geológicas da região, formada pelo encontro e evolução de grandes blocos geológicos ao longo de milhões de anos.

“Por isso que aqui está tão cheio de terras raras. São riquezas para Roraima e para o Brasil como um todo”, afirmou.

Governo defende beneficiamento em Roraima

Além da eventual extração, Soldado Sampaio defendeu que parte das etapas industriais relacionadas aos minerais seja instalada em Roraima. A intenção, segundo ele, seria criar uma cadeia envolvendo beneficiamento, processamento, tecnologia, pesquisa científica e formação profissional.

“Não queremos apenas extrair e enviar a matéria-prima para refino na China. Queremos o refino aqui, gerando emprego, renda, mão de obra qualificada e qualidade de vida para nossa gente”, declarou.

A proposta já havia sido apresentada pelo governador durante a abertura do fórum, quando defendeu que uma eventual exploração mineral seja acompanhada pela instalação de atividades capazes de agregar valor à matéria-prima dentro do próprio estado.

O desafio agora é determinar a dimensão do depósito e sua viabilidade técnica, econômica e ambiental. Pesquisadores envolvidos nos estudos ressaltam que os resultados obtidos até agora indicam potencial relevante, mas a caracterização completa da ocorrência mineral depende do avanço das análises, sondagens e demais etapas de pesquisa.

Caso os estudos confirmem uma jazida economicamente explorável, Sampaio avalia que o setor poderá contribuir para diversificar a matriz econômica de Roraima.

“Isso aqui é desenvolvimento, é emprego, é distribuição de renda, com a possibilidade de ampliar os investimentos públicos em saúde, educação e segurança”, afirmou.

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