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BLOG DO LUIZ VALÉRIO

Arthur Henrique falta a debate da TV Norte; Sampaio concentra discurso em educação, saúde, segurança e infraestrutura

Candidato do PL alegou conflito de agenda após ter confirmado presença; durante o confronto, adversários exploraram sua ausência, enquanto Soldado Sampaio apresentou propostas para saúde, combate à violência contra a mulher, servidores públicos e interiorização dos serviços

A ausência de Arthur Henrique (PL) marcou o debate entre os candidatos ao Governo de Roraima promovido pelo Grupo Norte de Comunicação na manhã desta segunda-feira (28). Mesmo tendo confirmado anteriormente a participação, Arthur não compareceu ao estúdio e alegou conflito de agenda. A assessoria do candidato foi questionada sobre o motivo da ausência, mas, segundo as informações encaminhadas ao Roraima na Rede, não apresentou outra explicação. 

Participaram do debate Soldado Sampaio (Republicanos), Rosi Ayres (PSOL) e Farah Mesquita (Solidariedade). A ausência de Arthur rapidamente se transformou em um dos principais assuntos do programa. Sampaio e Farah passaram a chamá-lo repetidamente de “fujão” e utilizaram diferentes blocos para questionar sua administração à frente da Prefeitura de Boa Vista e suas alianças políticas.

Em determinado momento, Farah afirmou que Arthur estaria fazendo uma transmissão ao vivo enquanto o debate acontecia e classificou a situação como um “desrespeito” aos eleitores que acompanhavam o programa. 

Aliás, Farah Mesquita foi um dos candidatos que mais direcionaram críticas ao ausente. Em diferentes momentos, questionou a atuação de Arthur na Prefeitura de Boa Vista, sua relação com outros grupos políticos e a execução de políticas públicas municipais.

No debate sobre saúde, o candidato do Solidariedade criticou a ausência de uma UPA em Boa Vista e cobrou a execução de recursos destinados à implantação da unidade. Também acusou Arthur de ter deixado a Prefeitura antes do término do mandato para disputar o Governo. 

Farah também levantou acusações relacionadas à CPI da coleta de lixo em Boa Vista, citou contratos municipais e questionou as relações políticas de Arthur. Parte dessas acusações foi acompanhada por Sampaio, que também fez críticas ao ex-prefeito. Farah recordou a tentativa de instalação da chamada “CPI do lixo” e a atuação da Prefeitura perante a Câmara Municipal para enterrar o debate. 

Sampaio respondeu que, em eventual suspeita envolvendo integrantes de seu governo, o secretário seria afastado e os órgãos de controle teriam liberdade para investigar. Segundo ele, não haveria interferência do Executivo para impedir uma investigação parlamentar. 

Outro tema usado pelos adversários contra Arthur foi a Previdência dos servidores municipais. Sampaio voltou a citar o PRESSEM e atribuiu à administração anterior de Boa Vista responsabilidade pelo crescimento do passivo atuarial. Durante o debate, ele falou em mais de R$ 500 milhões. As acusações envolvendo contratos, supostas irregularidades, alianças políticas e responsabilidades administrativas feitas pelos candidatos permearam todo o debate.

Sampaio transforma saúde em principal vitrine

Embora tenha atacado Arthur em diferentes momentos, Soldado Sampaio concentrou boa parte de suas intervenções na apresentação de ações e propostas, sobretudo na saúde.

O candidato afirmou que pretende construir na zona Oeste de Boa Vista um complexo de saúde que reuniria uma nova maternidade, hospital ortopédico, estrutura especializada no atendimento de pessoas com autismo e ampliação do atendimento especializado à mulher. Segundo Sampaio, já haveria R$ 83,4 milhões destinados à nova maternidade. 

Na etapa dedicada aos primeiros 100 dias de um eventual novo governo, Sampaio disse que pretende lançar, em 2 de janeiro, a pedra fundamental do complexo de saúde Dr. Sérgio Madeira, na área do Jockey Club. O projeto apresentado por ele prevê maternidade, centro para tratamento de pessoas com autismo, ampliação do serviço de referência da mulher e hospital ortopédico. 

Também anunciou a intenção de fortalecer a estrutura hospitalar do Sul do estado e mencionou a implantação de curso de Medicina em Rorainópolis.

Sampaio usou ainda resultados que atribuiu aos cerca de 100 dias em que estava no comando do Estado. Disse ter reaberto hospitais no interior, adquirido novas UTIs, retomado procedimentos cirúrgicos e encaminhado a implantação da radioterapia. Em uma das intervenções, afirmou ter encontrado 49 mil pessoas aguardando consultas no Coronel Mota e declarou que 33 mil já haviam sido atendidas. 

Outro eixo importante do debate foi a violência contra a mulher. O programa apresentou aos candidatos o dado de mais de 600 registros de descumprimento de medidas protetivas em Roraima, baseado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, e questionou como o próximo governo poderia tornar essas medidas mais efetivas. 

Sampaio afirmou ter colocado três mulheres no comando de áreas estratégicas da segurança pública e disse ter direcionado R$ 14 milhões do Fundo de Segurança para políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. O candidato também defendeu maior integração da rede de proteção e medidas de acompanhamento dos casos. 

Servidores, educação e oportunidades

Questionado sobre as condições de trabalho de profissionais da saúde e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Sampaio declarou que pretende realizar concurso público para reforçar o quadro da saúde. A questão foi apresentada por Rosi Ayres, que relatou as condições de exposição e vulnerabilidade enfrentadas pelos trabalhadores desses serviços. 

Na parte final do programa, Sampaio apresentou educação, segurança, emprego e empreendedorismo como outros eixos de sua plataforma. Disse que pretende ampliar oportunidades para os jovens, especialmente no interior, por meio de emprego, inovação e incentivo ao empreendedorismo. 

O candidato também associou sua proposta de governo à interiorização dos serviços públicos. Ao longo do debate, citou hospitais, UTIs, atendimento especializado e infraestrutura fora da capital como instrumentos para reduzir a dependência de Boa Vista.

Terras indígenas também provocam confronto

As demarcações e possíveis ampliações de terras indígenas provocaram um dos embates mais duros entre Farah Mesquita e Rosi Ayres.

Rosi declarou ser favorável à garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e afirmou que eventuais ampliações deveriam ser conduzidas com diálogo para evitar a retirada arbitrária de moradores das áreas envolvidas. 

Farah se posicionou contra ampliações que, segundo ele, poderiam atingir áreas produtivas e moradores de municípios como Alto Alegre. O candidato também associou Arthur Henrique à defesa dessas ampliações. Rosi contestou a interpretação e defendeu negociação entre governo, comunidades indígenas e moradores atingidos. 

Ausência vira munição eleitoral

No fim, a cadeira vazia de Arthur Henrique acabou ocupando espaço considerável no debate. Ao chegar à emissora, Sampaio já havia defendido a importância do confronto entre os candidatos para que o eleitor pudesse conhecer trajetórias e propostas. Durante o programa, endureceu o discurso e passou a chamar Arthur de “candidato fujão”.

Nas considerações finais, Sampaio voltou à ausência do adversário e contrapôs sua participação no debate à postura de Arthur. Também retomou suas prioridades para um eventual mandato: saúde, educação, segurança pública, emprego, empreendedorismo e ampliação dos serviços para o interior. 

Farah seguiu linha semelhante e transformou a ausência do candidato do PL em argumento político para questionar sua disposição de enfrentar cobranças públicas. Arthur, portanto, esteve fisicamente ausente, mas politicamente presente durante praticamente todo o confronto: virou alvo recorrente dos adversários e teve sua passagem pela Prefeitura de Boa Vista colocada no centro de vários dos embates.

Já Sampaio utilizou o espaço para combinar críticas ao principal adversário com a apresentação de compromissos de governo, colocando saúde, combate à violência contra a mulher, fortalecimento da segurança pública, valorização dos servidores, interiorização dos serviços e geração de oportunidades entre os principais pontos defendidos diante dos eleitores.

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