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Setembro Verde: Roraima capacita profissionais para identificar doadores e acolher famílias

Programação segue até 25 de setembro e aborda morte encefálica, aspectos legais, captação de órgãos e comunicação com parentes

O Governo de Roraima iniciou, nesta sexta-feira, 11, a programação do Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. As atividades são coordenadas pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), por meio da Central de Transplantes de Roraima (CET-RR).

A primeira ação foi uma palestra destinada aos profissionais do Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento (HGR). A programação continuará até o dia 25 de setembro e também envolverá acadêmicos dos cursos de Medicina e Enfermagem.

Os encontros abordarão a identificação de potenciais doadores, o diagnóstico de morte encefálica, os aspectos éticos e legais da doação e os procedimentos adotados durante a captação. Outro ponto central será a preparação das equipes para conversar com os familiares no momento da perda.

Comunicação exige sensibilidade

Segundo a enfermeira da CET-RR Márcia Alencar, o processo de doação mobiliza uma equipe multiprofissional e exige, além de conhecimento técnico, uma abordagem humanizada.

“A forma de falar é tão importante quanto o que será falado. É preciso usar uma linguagem simples, ser transparente, dominar o assunto e ter sensibilidade, empatia e compaixão”, explicou.

De acordo com a profissional, a programação deste ano concentra-se na preparação das equipes responsáveis por receber, orientar e acolher as famílias de potenciais doadores.

Além do HGR, as atividades serão levadas ao Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA), unidade municipal de referência no atendimento pediátrico em Boa Vista.

Decisão depende da família

Nos casos de lesões neurológicas graves e irreversíveis, o paciente pode passar pelo protocolo para diagnóstico de morte encefálica. Depois da confirmação, ele poderá ser considerado um potencial doador, mas a retirada dos órgãos somente ocorre mediante autorização familiar.

Com o consentimento da família, a Central de Transplantes e as Organizações de Procura de Órgãos comunicam o caso ao Sistema Nacional de Transplantes, responsável por organizar a distribuição conforme critérios técnicos, compatibilidade e posição na fila.

No Brasil, a autorização dos familiares é indispensável para a doação após a morte. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas comuniquem à família o desejo de ser doadoras — uma conversa simples que, diante da dor, pode evitar dúvidas e orientar a decisão. Ministério da Saúde

“A sensibilização é fundamental, pois a doação pode representar uma nova oportunidade de vida para muitas pessoas que estão na fila de espera”, destacou Márcia Alencar.

Roraima ainda não realiza transplantes

Em funcionamento desde 2014, a CET-RR integra o Sistema Nacional de Transplantes e mantém articulação com as centrais das demais unidades da Federação. A instituição acompanha hospitais públicos e particulares na identificação e notificação de potenciais doadores.

Como Roraima ainda não realiza cirurgias de transplante, os pacientes do estado são inseridos na fila única do Sistema Único de Saúde (SUS) e encaminhados, por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), para hospitais habilitados em outros estados.

Quando uma família autoriza a doação, uma equipe especializada de outra unidade da Federação viaja até Roraima para fazer a retirada dos órgãos no HGR. Em seguida, a Central Nacional de Transplantes realiza a destinação aos pacientes compatíveis.

As captações começaram no estado em 2018. Segundo a Sesau, nove procedimentos foram realizados desde então, dois deles somente em 2026.

Mobilização nacional

O Setembro Verde antecede o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.584, de 28 de novembro de 2007, que também prevê campanhas públicas de estímulo à doação nas duas semanas anteriores. Presidência da República

Mais do que ampliar o número de doadores, a campanha procura retirar o tema do silêncio. Afinal, quando o desejo é conhecido pela família, uma decisão tomada no momento mais difícil pode abrir caminho para que outras vidas continuem.

Crédito da foto: Divulgação/Sesau

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