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RORAIMA

Roraima se prepara para estiagem, calor intenso e possíveis efeitos do El Niño

Especialistas alertam para riscos de incêndios, impactos na saúde e prejuízos à agropecuária; eventos extremos podem exigir maior planejamento nos próximos meses

O aumento das temperaturas, a chegada do período mais seco e a possibilidade de influência do El Niño colocam Roraima em estado de atenção para os próximos meses. Especialistas apontam que os efeitos podem atingir desde a saúde da população até a produção agropecuária, além de aumentar o risco de incêndios florestais e provocar impactos ambientais e logísticos.

O cenário foi discutido por pesquisadores e representantes de diferentes áreas durante um podcast produzido pela TV Assembleia. O debate reuniu informações sobre as condições climáticas previstas, a relação entre oceano e atmosfera e as medidas necessárias para reduzir os impactos de eventos extremos.

A jornalista Isabela Bastos, que mediou a discussão, destacou que as consequências de períodos de calor e estiagem ultrapassam a questão ambiental.

“Foi importante entender e ouvir como um fenômeno climático afeta diversas áreas da nossa vida. Tem a questão da nossa saúde com o calor, os incêndios, as queimadas e a fumaça, a questão da nossa produção, logística. Tudo que a gente tem hoje em dia é afetado por esse fenômeno”, afirmou.

O geólogo e professor Vladimir de Souza explicou que o El Niño resulta da interação entre fatores oceânicos e atmosféricos. Embora tenha origem no Oceano Pacífico, o fenômeno provoca alterações climáticas em diferentes partes do planeta, inclusive na Amazônia.

O aquecimento anormal das águas modifica padrões de circulação da atmosfera e pode favorecer períodos mais secos ou mais chuvosos, dependendo da região.

“Ele é um fenômeno global que afeta o clima como um todo, principalmente aqui na região Amazônica. Foge ao controle humano, você nunca sabe quando é que você vai ter ou não, é um sistema natural e complexo”, explicou.

Eventos extremos preocupam especialistas

O meteorologista Leonardo Alves Vergasta, doutor em Clima e Ambiente pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), destacou a influência do aquecimento dos oceanos sobre o clima da Região Norte.

Segundo ele, mudanças na temperatura das águas interferem diretamente na circulação atmosférica e podem produzir consequências em Roraima.

“Esse aumento de temperatura nos oceanos tem um impacto direto no clima, pois há uma interação entre o oceano e a atmosfera que modifica os padrões de circulação, trazendo consequências aqui na região Norte do Brasil, principalmente no estado de Roraima”, afirmou.

Durante o debate, Vergasta apontou projeções de ocorrência do fenômeno até o início de 2027, cenário que, segundo ele, reforça a necessidade de planejamento.

O geólogo Felipe Toledo, professor associado do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), chamou atenção especialmente para a possibilidade de intensificação de eventos climáticos extremos.

“É importante mostrar que as mudanças climáticas, tanto no passado como o que está acontecendo agora, mostram a importância de a gente se precaver. O maior problema, na realidade, dentro das mudanças, são os eventos extremos que a gente vai enfrentar. A gente tem que estar preparado, porque os eventos vão ser mais curtos e cada vez mais graves”, alertou.

Risco de incêndios aumenta com estiagem

A chegada da estação seca também mobiliza o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Roraima. Áreas com histórico de queimadas e maior incidência de focos de calor devem receber atenção especial.

Segundo o comandante e coordenador estadual da Defesa Civil, Anderson Matos, municípios localizados no chamado Arco do Fogo estão entre as áreas consideradas prioritárias.

Pacaraima, Amajari, Alto Alegre, Mucajaí, Iracema e Caracaraí estão entre os municípios mencionados, além de localidades do Sul de Roraima.

Mesmo durante a transição entre o período chuvoso e a estiagem, já existem registros de focos de incêndio no estado, segundo o comandante.

“Hoje nós já estamos numa seca no nosso estado. Estamos saindo de uma operação relacionada às chuvas e iniciando uma outra operação relacionada à falta de chuva, temperaturas altas e tudo que é relacionado com os impactos de uma seca, de uma estiagem e do fenômeno El Niño”, afirmou.

A Defesa Civil orienta moradores das áreas urbanas a manter terrenos limpos e evitar queimadas. No meio rural, o uso do fogo deve ocorrer somente quando autorizado pelos órgãos ambientais e de acordo com as normas vigentes.

Propriedades rurais também devem manter áreas de proteção ao redor de casas, currais, cercas e outras estruturas para reduzir a possibilidade de o fogo atingir instalações.

“A população tem um papel fundamental. Vamos tratar aqui da população de área urbana: quem tem o seu terreno baldio, aquele seu lote lá, manter ele limpo. Para a população da área rural são várias recomendações: uso do fogo somente quando for autorizado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e ter muito cuidado porque estamos num período extremamente seco”, reforçou Anderson Matos.

Agropecuária também pode sentir os efeitos

A estiagem e alterações no regime de chuvas representam preocupação adicional para produtores rurais. O pesquisador da Embrapa Roraima e professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Haron Xaud, explicou que temperatura e precipitação têm relação direta com o desempenho das atividades agropecuárias.

A antecipação de possíveis cenários, segundo o pesquisador, pode ajudar produtores e instituições públicas a desenvolver estratégias para reduzir perdas.

“O El Niño mexe com a parte climática e principalmente com a precipitação e temperatura aqui em Roraima, tem íntima relação com os efeitos na agropecuária do estado. Avaliar e propor soluções para amenizar é um dever das instituições de Roraima”, avaliou.

Além da preparação do poder público e dos produtores, os especialistas destacaram a necessidade de participação da própria população na prevenção de incêndios e na adaptação aos períodos de temperaturas elevadas.

Para Isabela Bastos, o cenário exige atenção porque alguns efeitos já podem ser percebidos antes mesmo da fase mais intensa da estiagem.

“É um debate muito importante pra gente refletir sobre como as nossas ações influenciam isso e também pra gente já pensar em estratégias para lidar com isso. Já estamos enfrentando temperaturas altas, uma estiagem acima da média e vários outros impactos”, afirmou.

O podcast foi produzido pela TV Assembleia, mas, segundo a ALERR, será disponibilizado no canal da instituição no YouTube somente após o encerramento do período de campanha eleitoral, em razão das restrições previstas na legislação eleitoral.

Segue a matéria reescrita com abordagem jornalística, reduzindo o caráter institucional e priorizando os alertas dos especialistas, os possíveis impactos em Roraima e as medidas de prevenção.

Roraima se prepara para estiagem, calor intenso e possíveis efeitos do El Niño

Especialistas alertam para riscos de incêndios, impactos na saúde e prejuízos à agropecuária; eventos extremos podem exigir maior planejamento nos próximos meses

O aumento das temperaturas, a chegada do período mais seco e a possibilidade de influência do El Niño colocam Roraima em estado de atenção para os próximos meses. Especialistas apontam que os efeitos podem atingir desde a saúde da população até a produção agropecuária, além de aumentar o risco de incêndios florestais e provocar impactos ambientais e logísticos.

O cenário foi discutido por pesquisadores e representantes de diferentes áreas durante um podcast produzido pela TV Assembleia. O debate reuniu informações sobre as condições climáticas previstas, a relação entre oceano e atmosfera e as medidas necessárias para reduzir os impactos de eventos extremos.

A jornalista Isabela Bastos, que mediou a discussão, destacou que as consequências de períodos de calor e estiagem ultrapassam a questão ambiental.

“Foi importante entender e ouvir como um fenômeno climático afeta diversas áreas da nossa vida. Tem a questão da nossa saúde com o calor, os incêndios, as queimadas e a fumaça, a questão da nossa produção, logística. Tudo que a gente tem hoje em dia é afetado por esse fenômeno”, afirmou.

El Niño pode alterar regime de chuvas

O geólogo e professor Vladimir de Souza explicou que o El Niño resulta da interação entre fatores oceânicos e atmosféricos. Embora tenha origem no Oceano Pacífico, o fenômeno provoca alterações climáticas em diferentes partes do planeta, inclusive na Amazônia.

O aquecimento anormal das águas modifica padrões de circulação da atmosfera e pode favorecer períodos mais secos ou mais chuvosos, dependendo da região.

“Ele é um fenômeno global que afeta o clima como um todo, principalmente aqui na região Amazônica. Foge ao controle humano, você nunca sabe quando é que você vai ter ou não, é um sistema natural e complexo”, explicou.

Eventos extremos preocupam especialistas

O meteorologista Leonardo Alves Vergasta, doutor em Clima e Ambiente pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), destacou a influência do aquecimento dos oceanos sobre o clima da Região Norte.

Segundo ele, mudanças na temperatura das águas interferem diretamente na circulação atmosférica e podem produzir consequências em Roraima.

“Esse aumento de temperatura nos oceanos tem um impacto direto no clima, pois há uma interação entre o oceano e a atmosfera que modifica os padrões de circulação, trazendo consequências aqui na região Norte do Brasil, principalmente no estado de Roraima”, afirmou.

Durante o debate, Vergasta apontou projeções de ocorrência do fenômeno até o início de 2027, cenário que, segundo ele, reforça a necessidade de planejamento.

O geólogo Felipe Toledo, professor associado do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), chamou atenção especialmente para a possibilidade de intensificação de eventos climáticos extremos.

“É importante mostrar que as mudanças climáticas, tanto no passado como o que está acontecendo agora, mostram a importância de a gente se precaver. O maior problema, na realidade, dentro das mudanças, são os eventos extremos que a gente vai enfrentar. A gente tem que estar preparado, porque os eventos vão ser mais curtos e cada vez mais graves”, alertou.

Risco de incêndios aumenta com estiagem

A chegada da estação seca também mobiliza o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Roraima. Áreas com histórico de queimadas e maior incidência de focos de calor devem receber atenção especial.

Segundo o comandante e coordenador estadual da Defesa Civil, Anderson Matos, municípios localizados no chamado Arco do Fogo estão entre as áreas consideradas prioritárias.

Pacaraima, Amajari, Alto Alegre, Mucajaí, Iracema e Caracaraí estão entre os municípios mencionados, além de localidades do Sul de Roraima.

Mesmo durante a transição entre o período chuvoso e a estiagem, já existem registros de focos de incêndio no estado, segundo o comandante.

“Hoje nós já estamos numa seca no nosso estado. Estamos saindo de uma operação relacionada às chuvas e iniciando uma outra operação relacionada à falta de chuva, temperaturas altas e tudo que é relacionado com os impactos de uma seca, de uma estiagem e do fenômeno El Niño”, afirmou.

A Defesa Civil orienta moradores das áreas urbanas a manter terrenos limpos e evitar queimadas. No meio rural, o uso do fogo deve ocorrer somente quando autorizado pelos órgãos ambientais e de acordo com as normas vigentes.

Propriedades rurais também devem manter áreas de proteção ao redor de casas, currais, cercas e outras estruturas para reduzir a possibilidade de o fogo atingir instalações.

“A população tem um papel fundamental. Vamos tratar aqui da população de área urbana: quem tem o seu terreno baldio, aquele seu lote lá, manter ele limpo. Para a população da área rural são várias recomendações: uso do fogo somente quando for autorizado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e ter muito cuidado porque estamos num período extremamente seco”, reforçou Anderson Matos.

Agropecuária também pode sentir os efeitos

A estiagem e alterações no regime de chuvas representam preocupação adicional para produtores rurais. O pesquisador da Embrapa Roraima e professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Haron Xaud, explicou que temperatura e precipitação têm relação direta com o desempenho das atividades agropecuárias.

A antecipação de possíveis cenários, segundo o pesquisador, pode ajudar produtores e instituições públicas a desenvolver estratégias para reduzir perdas.

“O El Niño mexe com a parte climática e principalmente com a precipitação e temperatura aqui em Roraima, tem íntima relação com os efeitos na agropecuária do estado. Avaliar e propor soluções para amenizar é um dever das instituições de Roraima”, avaliou.

Além da preparação do poder público e dos produtores, os especialistas destacaram a necessidade de participação da própria população na prevenção de incêndios e na adaptação aos períodos de temperaturas elevadas.

Para Isabela Bastos, o cenário exige atenção porque alguns efeitos já podem ser percebidos antes mesmo da fase mais intensa da estiagem.

“É um debate muito importante pra gente refletir sobre como as nossas ações influenciam isso e também pra gente já pensar em estratégias para lidar com isso. Já estamos enfrentando temperaturas altas, uma estiagem acima da média e vários outros impactos”, afirmou.

O podcast foi produzido pela TV Assembleia, mas, segundo a ALERR, será disponibilizado no canal da instituição no YouTube somente após o encerramento do período de campanha eleitoral, em razão das restrições previstas na legislação eleitoral.

Palavras-chave: Roraima, El Niño, estiagem, mudanças climáticas, queimadas, incêndios florestais, Defesa Civil, agropecuária

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