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Parece ridículo, mas é verdade!

O projeto da Matemática Moderna era encantador. Organizava o currículo a partir da teoria dos conjuntos numéricos de modo sistêmico e lógico.

01/03/2023 às 17h33 Atualizada em 01/03/2023 às 17h46
Por: Rossiter Ambrosio Fonte: Conexões Matemáticas / Rossiter Ambrósio
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Foto: Situação de sala de aula, durante uma atividade de Matemática
Foto: Situação de sala de aula, durante uma atividade de Matemática

Claro que amo estudar matemática, porém me sinto menos empolgado que no tempo de faculdade. Descobri que a matemática que me ensinaram na universidade não é a mesma que me pedem para ensinar na sala de aula. Pior de tudo, é saber que aquilo que ensino em sala de aula não pode ser considerado Matemática. Ou seja, o que fazemos na calculadora, também não pode ser considerado matemática. Ridículo!

Isso tem a ver com o monstro do texto passado, com a verdade de onde vem e, como ele foi criado. Tipo um vírus criado em laboratório que acaba escapando e invadindo nossas escolas, causando grande destruição. Tudo começou com uma guerra tecnológica, conhecida como “corrida espacial”, entre USA e a antiga União Soviética (Rússia), que disputaram quem seria o primeiro a lançar um satélite espacial e sair na frente, no avanço da ciência e da tecnologia de transmissão, visualização e controle via espaço aéreo. Essa guerra fria como ficou conhecida, favoreceu a criação de computadores, aparelhos celulares e o surgimento da internet. Essa briga deu ruim para o Estados Unidos, que acabou presenciando o lançamento do Sputnik, primeiro satélite Russo no espaço (ver Ambrósio R. 2009; Santos, 2007).

Assim nasceu o monstro! Com o objetivo de formar cientistas, sair na frente na disputa tecnológica, teve como meio a Escola que recebeu uma nova proposta curricular para o ensino de matemática que ficou conhecido como, Movimento de Matemática Moderna (MMM), que inseriu o pensamento algébrico no ensino de matemática, nos apresentou a fórmula de Bhaskara e assim, passamos a calcular valores para “X” e “Y”.

O projeto da Matemática Moderna era encantador. Organizava o currículo a partir da teoria dos conjuntos numéricos de modo sistêmico e lógico. Valorizava as estruturas algébricas, deixando a Geometria um pouco de lado. Um currículo perfeito, do ponto de vista do avanço científico e tecnológico, mas se converteu no maior fracasso da história do ensino da matemática na escola. Por ser inadequado ao nível dos estudantes da Escola Básica e, por falta de professores com graduação nesse nível, essa proposta acabou causando enorme evasão escolar na década de 60. Infelizmente, esses fatos são a razão pela qual até hoje, a matemática é vista como o “Bicho – papão”, ... o MONSTRO da escola (ver Ambrósio R. 2009; Santos, 2007).

No Brasil, até o final do século 20, os cursos de licenciatura em matemática mantinham um currículo da matemática moderna. O movimento de educação matemática, que surgiu em diversos países da Europa e nos UAS, envolvendo educadores matemáticos, filósofos, psicólogos e sociólogos, foi apresentado para contrapor o movimento da matemática moderna que mesmo diante de seus visíveis estragos causados na escola, mantinham ativos, professores encantados com a proposta e que entusiasmadamente continuavam em sala de aula, sacrificando seus alunos na perspectiva de uma educação científica e tecnológica inadequada.

Devido a essa transição curricular, e por conta da resistência a favor da manutenção do currículo da matemática moderna, nem sempre, ou quase nunca, a “Matemática” ensinada nas universidades se alinham com a “ensinada na escola”. 

Nos textos anteriores, apresentamos a Teoria dos Registros de Representações Semióticas (DUVAL, 1988), que defende a matemática como linguagem e não como um campo de conhecimento empírico. E de modo prático se verifica que:

- Matemática é o processo no qual abstraímos uma situação problema e estabelecemos uma relação lógica entre os entes que se apresentam na base da problemática e, que possibilitam que construamos uma solução que por fim, comunicamos em forma de modelo mental, como; fórmulas estruturais do pensamento matemático, Sentenças operacionais, Algoritmos, Mapas mentais, Representações geométricas etc. É nesse sentido, que afirmamos que a matemática está em tudo. Claro, pois de alguma forma matematizamos todo e qualquer problema que enfrentamos no cotidiano. Porém, toda via, no entanto, para matematizar, é preciso uso de análise, levantamento de hipóteses, teste de variável, teste de acerto e erro, teste de probabilidade, análise de variância, enfim!

Nada disso é proposto no livro de matemática que vai para escola. Portanto, nada do que se ensina na escola pode ser considerado matemática, pois o que temos nos livros didáticos, pode ser resumido em apenas uma proposta de estudo orgânica e sistêmica por meio de situações problemas de ensino e/ou exercícios práticos, sobre a linguagem e as formas de registros e representações do pensamento matemático. Ou seja, precisamos rever nossa práxis. Pense nisso, pense agora e refaça seu plano de ensino.

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