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Para destruir o monstro é preciso simplificar

A matemática tem as suas valências ontológicas, bem como, seus substratos de valências.

22/02/2023 às 19h37 Atualizada em 23/02/2023 às 10h48
Por: Rossiter Ambrosio Fonte: Conexões Matemáticas/Rossiter Ambrósio
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Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Na maioria dos casos, o insucesso no ensino de matemática está relacionado com a primeira impressão. Ou seja, com a forma de apresentação. Se a abordagem segue um caminho desconfortável, constrangedor e desfavorável para o estudante, é impossível progressões de sucesso na aprendizagem. É necessário empatia e suavidade, acolhimento e motivação em níveis adequados de engajamento. Para se tornar protagonista da sua própria aprendizagem, o estudante precisam estar engajados no processo e legitimar a necessidade de superação dos objetos de ensino e aprendizagem. 

Revisitando meus 28 anos de experiência docente, recordo de inúmeros casos de alunos totalmente indispostos para o estudo de matemática, já no primeiro dia de aula. São exatamente esses casos que me motivam  a pensar na necessidade de metodologias ativadoras, não só da ação do estudante, mas acima de tudo, do interesse dele pela matemática.

Não podemos confundir mobilidade com aprendizagem. Essa afirmação encontra sentido no depoimento de um colega professor de matemática, em uma escola da rede particular de ensino, na Cidade de Manaus (AM). Este colega me relatou que praticou com os estudantes algumas estações bem elaboradas, porém ficou frustrado no final do processo, quando os estudantes lhe responderam não ter aprendido o tema estudado, sem demonstrar o mínimo de interesse em aprender. 

Fica claro e evidente que sempre poderemos ativar a ação dos estudantes. Porém, nem sempre conseguiremos ensiná-los. Nesse caso, temos, então, um problema que podemos  resolver via planejamento de estações ativadoras da aprendizagem, de forma mais efetiva.

O desinteresse dos estudantes pela matemática  pode ocorrer por conta da tensão provocada por algumas falhas na proposta do professor que, na maioria dos casos, somam fragmentação, descontextualização e inadequação do tema e do material de estudo e que, por isso, provocam sensação de desconforto para os estudantes. Esses alunos são, em sua maioria, adolescentes que  não gostam de ter reveladas de forma pública suas  limitações intelectuais e precariedades instrucionais, não aparentes.

Para evitar que esse fenômeno desagradável ocorra nas aulas de matemática, é deveras importante que o professor, além de conhecer o nível instrucional de seus alunos, conheça também a realidade objetiva da matemática escolar. A matemática clássica tem as suas valências ontológicas, bem como seus substratos de valências. Tem natureza axiomática (relações irrefutáveis) e um organismo taxonômico (classificação de objetos e áreas de estudos) que se reverte de uma semântica peculiar para comunicar-se por meio de objetos representacionais. Mas abordagens projetadas nesses níveis de abstração  já se comprovaram incompatíveis para estudantes da Educação Básica. 

O domínio do universo matemático é sine qua non (condição indispensável) para o sucesso do professor. Porém, é preciso ter clareza sobre o objetivo do ensino de matemática na escola básica que, repreensivelmente, não é formar matemáticos axiomáticos ou calculistas. É simplesmente formar criaturas espetaculares, mentes críticas, sujeitos sensacionais, pensamento lógico e razoável. Dessa forma, o ensino de matemáticas deve concentra-se em ajudar os estudantes no desenvolvimento de habilidades tais, como analisar, criticar, redirecionar e comunicar as ferramentas matemáticas. 

O tratamento de algoritmos, a construção de gráficos, bem como o uso modelos mentais para relacionam conceitos e procedimentos  são apenas ferramentas meio e não o objetivo final do processo de ensino e aprendizagem. É preciso simplificar para não  alimentarmos  o “monstro” criado para amedrontar e distanciar os estudantes da escola e do prazer de estudar matemática

Portanto, é possível desmistificar o “monstro” da matemática, praticando um ensino  com enfoque no domínio da linguagem utilizada para comunicar o pensamento matemático e que não exija dos estudantes uma construção axiomáticas ou uma perfeita  taxonomia dos objetos matemáticos. 

Rossiter Ambrósio dos SantosDoutor em Ensino de ciências e matemática pela REAMEC, da Universidade Federal do Mato Grosso. Phd em Didática do ensino de matemática

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