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Evasão escolar no Ensino Médio: falha no currículo e ausência de políticas públicas

Estamos efetivamente reconhecendo na educação a importância de várias culturas e tradições na formação de uma nova civilização, transcultural e transdisciplinar. (D’AMBRÓSIO, 2001, p. 46).

25/01/2023 às 15h24 Atualizada em 02/03/2023 às 17h47
Por: Rossiter Ambrosio Fonte: Conexões Matemáticas/Roraima na Rede
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Em muitas escolas, o ensino de matemática é encarado como uma ação docente cuja finalidade é simplesmente ensinar fazer contas Foto: Pixabay
Em muitas escolas, o ensino de matemática é encarado como uma ação docente cuja finalidade é simplesmente ensinar fazer contas Foto: Pixabay

Todas as manhãs quando vou à minha labuta de professor de Matemática, costumo ligar o rádio do carro e escutar as matérias de jornais entre outros programas de música e entretenimento em uma das emissoras de Boa Vista – RR. Certa vez, em março de 2022, uma matéria me chamou a atenção pelo fato de destacar um Boletim do INEP, o qual registrava um aumento significativo no abandono escola, especificamente no Ensino Médio. Essa notificação me deixou muito reflexivo e me fez buscar no próprio ambiente escolar, as razões para este fenômeno. 

Partindo dos meus 21 anos de vivência na sala de aula, consegui chegar a dois indicadores que possam explicar a matéria publicada. Em primeiro lugar, penso que esta situação esteja em boa parte relacionada ao entendimento dos professores sobre o que é ensinar Matemática na escola e, sobre os objetivos do ensino desse componente, especificamente para estudantes do Ensino Médio. 

Ocorre que boa parte dos colegas professores que ensinam Matemática no ensino médio, nas escolas roraimenses, conservam o modelo de ensino de uma matemática tecnicista ou instrumental que reduz o ensino de matemática a resolução de exercício envolvendo resolução de algoritmos ou modelos matemáticos clássicos dos livros didáticos e não superam o verdadeiro objetivo do ensino de Matemáticas na escola, que de modo geral é fazer com que os estudantes pensem com autonomia. 

No Ensino Médio, exclusivamente, o objetivo do ensino de matemática é desenvolver o raciocínio lógico em favor da habilidade resolução de problema, envolvendo tomada de decisão, leitura de dados, uso de ferramentas tecnológicas de informação e comunicação, com vista na imersão dos jovens no mercado de trabalho, tornando-os capazes de atuar de modo diferenciado em favor do desenvolvimento social e da melhor qualidade de vida em sociedade. 

A ausência dessa perspectiva na proposta de ensino do professor pode estar relacionada direta ou indiretamente aos dados do INEP, conforme a matéria acima citada.

Em outra vertente, verifico o impacto dessa realidade na vida escolar de nossos estudantes. Ocorre que essa percepção do professor sobre o ensino de Matemática como uma ação docente cuja finalidade é simplesmente ensinar fazer contas, reflete no plano de ensino e na sua metodologia de trabalho e se reproduz nos estudantes e futuros professores de Matemática, o mesmo raciocínio quase de modo cultural e meio proselitista.

Na verdade, esse ato reduz o ensino de matemática apenas ao operacional aritmético ou algébrico sem levar muito em conta o método geométrico e acaba limitando a capacidade criativa e o sucesso dos estudantes na escola. Infelizmente, essa visão pedagógica, representa algumas propostas ou programas de ensino de alguns professores de matemática que não permitem que os estudantes logrem êxito no estudo dessa disciplina.

Bom, em primeiro lugar penso que esta pode ser uma das razões pelas quais muitos estudantes não sentem prazer em estudar a Matemática enquanto componente escola e acabam abandonando a escola e gerando maior número estatístico de evasão escolar. Os alunos evadidos geralmente abandonam a escola com o sentimento de que a Matemática seja algo difícil, inacessível com acesso restrito apenas às mentes iluminadas.

Em segundo lugar, penso que a Matéria ouvida no rádio esteja relacionada com a falta de visão transcultural e interdisciplinar dos professores, não somente de matemática, conforme declarada em D’Ambrósio (2001, p. 46)/[ epígrafe].

Um rápido olhar, mesmo que despercebido, sobre o ambiente escolar revela rápido e facilmente que a realidade sociocultural e econômica da sociedade moderna em que vivem nossos alunos reflete uma plena transformação, ou seja, um pleno estado de transculturalidade, onde se destacam smartphones and blind people (celulares inteligentes e pessoas cegas/hipinotizadas).

A verdade é que sociedade atual vive uma perspectiva de vida inerente a um imediatismo que se mostra fragilizador da mente estudantil. Ou seja, vivemos a geração “Z” do On click, onde tudo se resolve muito rápido e de forma imediata, muito fácil, sem precisar raciocinar ou pensar em estratégias de solução e onde a tomada de decisão sucumbe diante da obviedade tecnológica.

Frente a essa realidade os estudantes entram em conflito ou em rota de colisão com o objetivo do ensino da matemática conforme se apresenta no currículo da escola, justamente para ensiná-los a pensar e resolver problema, fortalecendo a habilidade de tomada de decisão corretas e eficientes.

Continua na próxima semana 

Rossiter Ambrósio dos Santos, Doutor em Ensino de ciências e matemática pela REAMEC, da Universidade Federal do Mato Grosso. Phd em Didática do ensino de matemática

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