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Política CRISE MIGRATÓRIA

Chores por mim...Bolívar

Sim, chores por mim...Bolívar. Pela dor de teus compatriotas silenciados em ambientes restritos da tua república.

27/11/2021 às 16h46 Atualizada em 28/11/2021 às 14h53
Por: Luiz Valério Fonte: Carvílio Pires
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O jornalista Carvílio Pires analise a triste situação dos imigrantes venezuelanos, que precisaram abandonar a sua Pátria Mãe devido à vilania dos seus governantes
O jornalista Carvílio Pires analise a triste situação dos imigrantes venezuelanos, que precisaram abandonar a sua Pátria Mãe devido à vilania dos seus governantes

Se, em sã consciência, a mãe abandona os filhos à própria sorte, iludida por amor inescrupuloso, violento, genocida e doentio, provavelmente, também ela sofre de muitas mazelas. Afinal, que mãe-pátria tem sido a Venezuela para os seus? De outro modo, em maioria, estaria o próprio tecido social a admitir tempos tortuosos para renascer revigorado e preparado para novo futuro?

Ainda causa surpresa o relativamente curto e conturbado período de namoro, que levou a pujante nação a vulgarizar suas conquistas, esquecer valores morais, históricos e entregar-se ao traiçoeiro abraço de regimes famintos por recursos e almas. O equívoco lhe custou o desmanche da frágil estrutura industrial que dispunha, permitiu que suas principais riquezas fossem usurpadas em troca de miseráveis bugigangas e se vergou a lábia de históricos velhacos dependentes do trabalho alheio.

A senhora dama da quarta maior renda per capita do mundo durante os tempos do ouro negro (como ficou conhecido o petróleo), hoje patina em salões lúgubres povoados por cáftens. Certamente, Simon Bolívar não ficaria satisfeito ao ver os trapos em que se transformaram nações pelas quais desprendeu exaustivo esforço até independe-las da Coroa de Espanha.

Sim, chores por mim...Bolívar. Pela dor de teus compatriotas silenciados em ambientes restritos da tua república. Também, às escâncaras, sucumbindo ao peso de Aparelhos de Estado, gerenciados por mãos já manchadas de sangue desde as suas origens. Outros, mesmo com as almas trucidadas, fugiram aos prantos, deixando história e histórias. Levaram nos bornais apenas lembranças da terra da qual nem sabem se um dia poderão novamente desfrutar.

Os menos favorecidos, muitos dos quais mal-acostumados aos subsídios estatais, inclusive para geração de numerosas famílias, tentam acomodar-se como podem. Vagam por terras vizinhas em busca de dias melhores. E assim, vão de esmoler ao subemprego, até a alegria de conseguirem trabalho com carteira assinada. 

Na esteira de tanta gente boa, se esgueiram malfeitores hábeis na prática de pequenos furtos, bem como assassinos, latrocidas, ou traficantes de drogas e armas, apadrinhados por organizações nacionais, ou não. A criminalidade crescente leva como vítimas a esperança de jovens e a vida dos que não cedem aos caprichos da marginalidade.

A desenfreada fuga decorrente das mazelas sociais, econômicas e políticas na Venezuela, deixa sob tensão as pequenas cidades ao longo de fronteiras internacionais. É que esses lugarejos não tem estrutura para receber, de supetão, a significativa demanda por serviços públicos: educação, saúde, segurança, ou ainda, oferta em número condizente de moradia e emprego.

O povo sofre! Parecendo um João Bobo – porém com os bolsos abarrotados de dinheiro -, o professor Girafárius venezuelano desfila por países com ele ideologicamente afinados. Enquanto, alguns morrem de fome, o grandão degusta sabores da cozinha só para ricos. Enquanto a massa foge a pé, o bigodudo esnoba passeios e visitas a monumentos de personalidades dos regimes totalitários, transformados em pontos turísticos.

Sem dúvida, as vítimas desse governo merecem apoio. Apoio. Ter um lugar para descansar, disponibilidade no atendimento de serviços essenciais e incentivo na conquista de sonhos. Porém, a compaixão de quem os atende, não pode superar os limites da razoabilidade. Principalmente, se cotejadas as ofertas direcionadas aos chegantes e aos nativos. O desequilíbrio pode, e certamente gera insatisfações e divergências com alto potencial conflituoso. 

Carvílio Pires escreve no Blog do Luiz Valério como jornalista convidado.

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