As entrevistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na Globo, em 15 e 16 de outubro, não produziram um consenso absoluto sobre quem foi melhor. Mas houve críticas contundentes ao desempenho do senador: analistas ouvidos pelo Terra apontaram que ele concentrou tempo em ataques a Lula, fugiu de perguntas e apresentou propostas rasas. A Exame também observou que Flávio mencionou o adversário mais de 25 vezes em pouco mais de 40 minutos.
Isso não significa que Lula tenha saído da sabatina sem críticas. Ele assumiu responsabilidade pela avaliação negativa de seu governo e defendeu uma mudança na maioridade penal para crimes hediondos, posição que destoa de sua trajetória política. Também houve falas do presidente contestadas por checagens. Uma análise do UOL considerou seu desempenho melhor que no primeiro turno, mas registrou ansiedade e uma mudança de discurso ainda insuficiente.
Ainda assim, a pergunta decisiva não é quem venceu uma entrevista. É que projeto de país oferece melhores garantias para a vida democrática, a soberania nacional e os direitos de quem trabalha. Nesse terreno, defender a continuidade de políticas sociais, a valorização do salário mínimo e a redução da jornada sem corte salarial é defender condições concretas de dignidade, não apenas slogans de campanha. Essas propostas aparecem entre as prioridades do programa de Lula.
Flávio afirmou que respeitará o resultado das urnas e que não tentará reverter o fim da escala 6x1. Mas, na sabatina, também voltou a chamar de “farsa” a interpretação de que os ataques de 8 de janeiro foram uma tentativa de golpe. Em uma democracia, reconhecer a eleição é indispensável; reconhecer os limites constitucionais e a legitimidade das instituições também é.
O Brasil precisa seguir sendo um país livre, democrático e soberano, capaz de proteger seus trabalhadores e de não abandonar os mais pobres à própria sorte. Os avanços sociais não são patrimônio de um governo: pertencem à população e devem ser preservados, avaliados e ampliados. Em tempos de desinformação e radicalismo, escolher esse caminho é escolher que a política continue servindo às pessoas — e que nenhum projeto de poder valha mais que os direitos e a liberdade de todos.







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