Roraima na Rede
Anuncie aqui
--:--
RORAIMA

Teamarr promove ação de saúde mental para familiares de pessoas com autismo em Roraima

Encontro abordou a sobrecarga emocional de pais e responsáveis e apresentou orientações para identificar sinais de sofrimento psíquico e buscar atendimento

A rotina de familiares responsáveis pelos cuidados de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi o foco de uma ação sobre saúde mental realizada pelo Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR). A atividade integrou a programação do Setembro Amarelo e teve como tema “Para cuidar de quem cuida”.

O encontro foi direcionado às famílias atendidas pelo centro e discutiu os impactos da sobrecarga enfrentada por pais e responsáveis que precisam conciliar os cuidados especializados com trabalho, tarefas domésticas e outras responsabilidades cotidianas.

Durante a atividade, foram apresentadas orientações sobre como reconhecer sinais de sofrimento emocional, incluindo sintomas associados à depressão, além de informações sobre os serviços públicos que podem ser procurados por pessoas que necessitam de acompanhamento em saúde mental.

A diretora terapêutica do Teamarr, Ana Paula Aporta, explicou que o acompanhamento não deve se limitar à pessoa com autismo, mas considerar também a realidade de quem participa diretamente dos cuidados.

“Quando se fala em saúde, especialmente em saúde mental, é preciso lembrar que o autista tem uma família, que também necessita de apoio. A ideia é estender o atendimento aos familiares das crianças e jovens acompanhados pela instituição”, afirmou.

Sobrecarga também exige atenção

De acordo com a assistente social do Teamarr, Larissa Ramos, pais e responsáveis podem acabar deixando a própria saúde mental em segundo plano diante das demandas diárias.

“Os pais e responsáveis atípicos têm uma sobrecarga muito grande e, muitas vezes, acabam não dando tanta importância à saúde mental”, explicou.

Segundo ela, a ação também buscou informar as famílias sobre onde procurar ajuda ao perceber sinais de sofrimento psíquico.

Mãe relata mudanças após acompanhamento

A professora Joseane Viana, mãe de uma adolescente com autismo atendida pelo Teamarr há dois anos, contou que buscou o serviço após o diagnóstico da filha. Segundo ela, o acompanhamento contribuiu para mudanças na socialização, na autonomia e na rotina escolar da adolescente.

Joseane relata que a filha chegou a enfrentar dificuldades para acompanhar as aulas presenciais e passou a estudar de forma remota. Posteriormente, segundo a mãe, a adolescente conseguiu ampliar a autonomia nos estudos e foi aprovada, aos 17 anos, no curso de Arquitetura da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

“O Teamarr foi um divisor de águas nas nossas vidas. Antes de ser atendida, ela não estava mais conseguindo assistir às aulas, que tiveram que ser remotas. Ela teve uma mudança da água para o vinho. Começou a me ajudar dentro de casa, a estudar sozinha e passou no vestibular da UFRR para o curso de Arquitetura aos 17 anos”, relatou.

Para Joseane, iniciativas direcionadas aos familiares são importantes porque ampliam a rede de apoio disponível para quem assume diariamente os cuidados de uma pessoa com autismo.

“É necessário cuidar realmente de quem cuida. Então, quem é mãe atípica sempre está inserida naquela questão: eu estou sozinha, onde buscar a rede? Ver esse suporte é muito bom”, afirmou.

A atividade integra as ações do Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio.

Leia a publicação original.

PARTICIPE

Comentários

0 comentário(s)
Seu comentário será publicado automaticamente.
Seja o primeiro a comentarEnvie sua opinião sobre esta notícia.